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Notas Diversas

Publicado a 11/05/2010, 11:27 por Luís Gonçalves

S.L.B. – CAMPEÃO NACIONAL 2009/2010 

Depois de algumas semanas em que a Festa foi sendo adiada, a família benfiquista (na qual, orgulhosamente, me incluo), pode finalmente festejar, no passado domingo, a conquista de mais um título de Campeão Nacional, o 32º.

«Foi bonita a festa, pá”, parafraseando Chico Buarque, na sua bela canção «Tanto Mar». Uma festa em que Portugal se vestiu de vermelho, para assinalar a vitória do Sport Lisboa e Benfica, com centenas de milhares, senão, milhões, a celebrar uma importante vitória, ansiosamente aguardada há cinco anos, para quebrar a hegemonia do F.C. do Porto, que tem sido esmagadora nos últimos 20/25 anos.

Sou simpatizante do Benfica há mais de 50 anos, tendo sido sócio, alguns anos, no tempo em que estudava em Lisboa, por volta de 1970 e partilho a minha alegria com os meus três filhos, todos sócios do Benfica.

Não sei identificar as origens desta minha simpatia clubística, até porque o meu pai era sportinguista, ainda que as coisas do futebol não o entusiasmassem muito, sendo a minha mulher e o meu sogro, igualmente, adeptos da agremiação de Alvalade, mas estas divergências clubísticas nunca perturbaram a boa harmonia familiar que caracteriza a minha família.

Ainda não tinha 9 anos quando o Benfica foi, pela 1ª vez, campeão europeu em 1961, frente ao Barcelona, num jogo de que não guardo qualquer memória. Recordo-me de ouvir o relato radiofónico quando, em 1962, o Benfica ganhou a 2ª Taça dos Campeões Europeus, num jogo memorável com o Real Madrid (5-3) que lançou o Eusébio para uma carreira brilhante, em que ganhou o direito de ser, ainda hoje, considerado um dos melhores futebolistas de todos os tempos.

Recordo, também, os desgostos que tive quando o Benfica perdeu as finais da Taça dos Campeões Europeus de 1963, 1965 e 1968, com o A.C. Milan, o Inter de Milão e o Manchester United. Acompanhei as duas primeira nos relatos radiofónicos que ouvia numa das tabernas que existiam, então na minha aldeia, onde apenas havia duas telefonias. A final de Londres, com o Manchester, já a vi na televisão, ainda que para isso me tivesse de deslocar à Vila do Sardoal, uma vez que em Entrevinhas ainda não havia electricidade, progresso que só chegaria à minha aldeia em finais de 1976.

Tanto quanto me lembro vi futebol, pela primeira vez, na televisão, no Campeonato Mundial de 1966, num jogo em que Portugal venceu o Brasil, como vi, também o memorável Portugal - Coreia do Norte que aos «Magriços» venceram por 5-3, depois de estarem a perder por 3-0.

Mas, por hoje, chega de futebol…


VISITA DO PAPA BENTO XVI 

O jornal PÚBLICO, do dia 11 de Maio de 2010 publica um interessante artigo do Professor Eduardo Lourenço, com o título «Um Papa alemão na tormenta», do qual, com a devida vénia, transcrevo alguns excertos: 

«... compreendamos, acima de tudo, que o Evangelho fala sempre da Igreja como de uma Igreja de pecadores, o que é justamente o seu rasgo específico" - Cardeal Ratzinger in Deus Existe? 

«Que apenas meio século após o holocausto a Santa Igreja católica, apostólica e, sobretudo, romana, tenha eleito um papa de nacionalidade alemã, ainda espantou um mundo onde ninguém se espanta com coisa nenhuma. Muitos se escandalizaram, então, menos por considerações duvidosas, quase racistas, do que pelo perfil e reputação teológico-pastoral do novo eleito, o cardeal Ratzinger, com vinte anos de chefia à frente do dicastério, guardião da ortodoxia, da Propaganda Fide.

Quando se pensa que desde os tempos de Carlos V, até  João Paulo II, só um Papa não fora italiano (Adriano VI), esta nova eleição de um "estrangeiro" era, já em si, uma surpresa e quase um milagre. A opinião católica e a do mundo tinham de lhe reservar um acolhimento e uma atenção à altura de uma tal surpresa.

Em breve o lado teutónico foi esquecido. Suave, delicado, grande intelectual, o novo Papa que sabia não poder contar com o efeito mediático de João Paulo II, nem fazer esquecer "o bom" Papa João XXIII, mau grado algumas intervenções no tabuleiro político, ou assim tido na óptica profana, que suscitaram reacções ofuscadas, conseguiu fazer esquecer que era alemão e tivera o magistério da disciplina e vigilância da Igreja. Duas encíclicas encontraram um eco atento nos meios intelectuais católicos e, para além deles, em gente que não esperaria dele textos teológico-proféticos, como os de alguns dos seus famosos predecessores. Tranquilamente, esse grande teólogo e filósofo, a par do movimento de ideias da sua pátria, relembrou na ordem da exegese, e em termos originais relativamente à tradição, a leitura da mensagem cristã como Amor, renovando-a na sua semântica, ao ter em conta os laços estruturais entre Eros e Agape. Sem audácias provocantes, um pouco na senda e como eco a um célebre ensaio de Anders Nygren, com esse título. O mesmo fará na revisitação e explicitação da doutrina social da Igreja, o que surpreendeu - dentro e fora dos meios católicos - gente que há muito o tinha catalogado - nessa matéria em particular, mas também nos domínios da ética e dos costumes - como um dos Papas mais conservadores, uma espécie de Pio IX redivivo. O que é totalmente inexacto.» 

«Em nada, a título pessoal, Bento XVI tem a ver com esse escândalo, por ele mesmo descrito e sofrido como tal, mas foi sobre ele, sucessor de Pedro, que caiu o reflexo profano, mundano, desse fait-divers que não se parece com nenhum outro. É uma injustiça objectiva e ninguém o saberá melhor do que ele. A Igreja não é nenhuma barca angélica. Está no mundo e pertence ao mundo. Não existe para impedir o mundo de passar mas para santificar o mundo que passa. De resto, já tem no seu fundador o mais incontornável dos juízes.» 

Este artigo pode ser lido integralmente em:

 http://www.publico.pt/papaemportugal/Noticia/1436559 

Sem ter a veleidade de me querer comparar com o grande vulto intelectual que é o Professor Eduardo Lourenço, digo, com humildade, que comungo as ideias que estão explanadas neste artigo.

Sou um católico pouco praticante, mas respeito a posição religiosa que cada pessoa queira adoptar, pelo que o que espero é que os Portugueses saibam receber o Papa Bento XVI, com a tolerância e abertura moral que os caracterizam. 

No dia 13 de Maio de 2010 passarão 43 anos sobre a primeira visita de um Papa a Portugal. Acompanhei essa visita com muito entusiasmo. O entusiasmo de um jovem de 14 anos, integrado numa sociedade profundamente rural e com um reduzido acesso à informação. Mas nesse dia desloquei-me com o meu saudoso pai Ávila de Sardoal para assistir à transmissão televisiva desse acontecimento memorável. Recordo-me de ter visto a transmissão directa no Café Progresso, do Sr. António Jorge, a abarrotar de gente.

Tive uma empatia especial com o Papa João Paulo II e acompanhei, por isso, com muita atenção as três vistas que efectuou a Portugal em 1982, 1991 e 2000.

Os três Papas que nos visitaram tinham personalidades muito diferentes e não se pode, nem se deve comparar o que não é comparável.


TRÊS BICAS -  http://tresbicas.blogspot.com/ 

O suplemento P2 do jornal PÚBLI CO publicou no dia 10 de Maio de 2010, na sua secção «Blogues em papel» uma citação de um post do blogue supra referenciado.

Fiquei contente e orgulhoso por esta referência, bem merecida, pela qualidade e oportunidade dos textos do Fernando Morais. Vale a pena ler e meditar sobre eles.


CIDADÃOS POR ABRANTES: http://porabrantes.blogs.sapo.pt/ 

Agradeço as elogiosas referências que me foram feitas neste blogue, de todo imerecidas, mas que não quero deixar de registar.

Foi-me atribuída a autoria de um texto relacionado com o 25 de Abril publicado naquele blogue que, de facto não foi escrito por mim, ainda que desconheça quem é o seu autor.

No dia 25 de Abril de 1974 estava numa operação militar no norte de Angola e só no dia 3 ou 4 de Maio de 1974, quando regressei a Luanda, ao Regimento de Comandos, em que servia como alferes miliciano, tive conhecimento do golpe militar que tinha ocorrido em Lisboa. 

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