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Carta de Demarcação do Termo da Vila de Sardoal

Dada em Lisboa, a 10 de Agosto de 1532, por El-rei D. João III

Dom João, etc. A quantos esta minha carta virem, faço saber que eu por alguns justos respeitos que me a isso moveram, houve ora por bem de fazer vila o lugar de Sardoal que antes era termo da vila de Abrantes da qual vila do Sardoal fiz mercê a D. António de Almeida, filho do Conde de Abrantes que Deus perdoe segundo mais é declarado n as duas doações e para lhe redeliimitar e dar aquele termo que conveniente e justo fosse, mandei acerca dele fazer certas diligências as quais vistas por mim e querendo fazer graça e mercê â dita vila do Sardoal e aos vizinhos, moradores e povo dela, tenho por bem e me praz de lhe fazer, como de facto por esta presente faço mercê e doação daqui por diante para sempre do termo seguinte além do que já tem e que tinha antes de ser vila, das vintenas de Alcaravela, Montalegre e de Alferrarede, assim como estão limitados e da vintena dos Valhascos, será a aldeia com seus rossios – outrossim me praz que a dita vila do Sardoal, vizinha daqui em diante com a vila de Abrantes, no portar e no uso da Junceira, como fazia antes de ser vila. O qual termo e limites pela dita maneira eu mandei divisar e demarcar por marcos e divisões para em todo o tempo saber por onde e como parte e desmarca e cometi a dita demarcação ao Doutor Dinis Roiz que a vivo lá enviei, o qual a fez com homens bons da terra e ajuramentados, da maneira seguinte: Demarcou a vintena de Alcaravela na ribeira de Arcez, na parte levante no cimo do Açude do Moinho de Bandos, assim na garganta dele e onde está um espigão de pedra nacediça que é grande como fraga no qual se pôs uma cruz com o rosto água abaixo e daí parte pelo cume do Cabecinho da Foz dos Gabários e daí direito vai partindo ao cabeço Que se chama das Seladas e daí à Cabeça Gorda pelos cumes dos cabeços e daí parte dos cabeços à Barreira do Lobo, águas vertentes sempre por Entre Serras e na Barreira do Lobo se pôs um marco e do dito marco vai direito ao Cabeço dos Algares e daí à foz da Ribeira da Salgueira e daí vai partindo a um cabeço que chama Portas do Suão, sempre águas vertentes sobre Alcaravela e do dito Cabeço das Portas do Suão vai partindo lombada abaixo até à ribeira do Rio Frio e pela água da dita acima até à foz das Fontainhas e daí partindo pela água do ribeiro das ditas Fontainhas até à foz do Vale do Freixo e daí vai partindo ao cume que está entre o Vale do Freixo e o Vale da Metade e daí vai partindo águas vertentes sobre as Lercas se vem direito à Portela da Lagariça e daí direito a uns cabeços que têm um vieiro de pedras nacediças brancas até onde está um monte de pedras que chamam o pião, águas vertentes sobre o Vale Formoso e daí direito a um e daí direito a um peão que chamam da Queixa Perra e listo é sempre águas vertentes sobre o Vale dos Ervedais e do dito pião direito às cimadas da Amieira Cova onde chamam o Vale Longo e daí direito ao Cabeço do Vale de Figueira, sempre águas vertentes sobre Alcaravela e daí ao Serro Longo e do Serro Longo à Ribeira do Codes por cima do Casal de Jorge Anes pela banda das terras do dito casal, onde se meteu um marco e o dito casal fica dentro da vintena de Alcaravela e daí vai partindo águas do Codes abaixo até à foz da Besteira que é uma ribeira que entra no Codes e aí acaba a vintena de Alcaravela e na foz da Besteira torna a partir a vintena de Montalegre água do Codes abaixo ate à foz do Codes onde entra no Zêzere abaixo até à foz da Laceira que é um ribeiro que entra no Zêzere abaixo das Cabeças Ruivas e da dita foz vai até à vintena de Montalegre. Do Zêzere vai partindo pelo dito ribeiro acima até dentro de um abroteal que é um recosto onde está um marco que parte o Casal da Ordem que traz Fernão Jorge, com o casal que traz Roiz de Abrantes e indo pela demarcação dos ditos casais ata à Portela do Vale da Vermelha e daí torna serra acima à cabeça das Fontes onde está outro marco que parte os outros casais e daí vai partindo caminho direito pelo meio da Lombada até à foz do Baraçal e o ribeiro de Vale de Tábuas até à azenha de Parada, a qual azenha fica dentro da vintena de Montalegre e daí vai ao cimo dele e daí lombada acima pelo caminho até ao cimo do Vale da Sobreira e aqui, saindo da lombada, faz o Casal de Vale de Tábuas uma chave e a dita vintena pela demarcação do dito casal e do Vale da Sobreira vai direito ao caminho de Vale de Tábuas que vai a Abrantes, onde está um padrão e daí a estrada direito até onde está uma cruz que se aparta do caminho que vai para Alferrarede, da dita estrada de Abrantes e pelo caminho de Alferrarede vai partindo águas vertentes contra Montalegre até à portela do pé do Nabal que é sobre Alferrarede, começando da dita portela até onde nasce o ribeiro da Bica que é onde se chama as Cimalhas da Bica que é apegado nas casas e daí vai partindo pelo ribeiro abaixo que vai pegado nas costas das c asas até dar na vintena de Alferrarede e passa a dita ribeira pelo Açude do Seixo e uma pedra nacediça grande que está na garganta da levada onde se pôs uma cruz por marco e daí vai direito ao cabeço do Vimieiro onde entesta no limite que dantes tinha a dita vila do Sardoal, vai partindo dito limite do Cabeço do Vimieiro, águas vertentes sobre o Vale da Louça até ao Serro da horta de Lopo Dias e do Serro para baixo das hortas e vinhas do Branquieiro e ficam as hortas e as vinhas dentro do limite e daí às barreiras vermelhas que estão no Vale Ruivo e vai direito ao lavradio de A. Alves e daí pelo vertente até à Cruz da Encuriscada onde está um marco e daí parte pelo meio do vale abaixo direito ao pardieiro e daí pela vertente ao ribeiro do Almargil, ao porto dele e daí e daí pelo cabo do mato e passa a ribeira do Sardoal que se chama Cagavae, por onde estão dois penedos nacediços, um aquém e outro dalém e por aí pelo vertente da ribeira, águas vertentes contra ao Sardoal, até ao cimo da vinha de Pedro Soromenho, onde se pôs um padrão grande por marco e saindo deste limite para tomar a aldeia de Valhascos, vai partindo pelo caminho que vai de roda da vinha até ao canto do valado dela e de um ferragial que está pegado com ela todo tapado e valado das vinhas do Sardoal até onde está um sobreiro onde se pôs um marco e daí pelos mesmos valados e vinhas, até à vinha de Álvaro Gonçalves Seixo, que é a Terradeira, no canto da qual se pôs outro marco e daí a um arrife de pedras que estão no cimo do Sobral, onde está uma pedra alevantada nadível de seis palmos em alto sobre a terra e daí por baixo das oliveiras da Murteira, direito à fonte dos Valhascos e fica a dita fonte dentro da demarcação e daí vai direito ao rossio da aldeia a uma oliveira que tem três penedos nadíveis ao pé e daí por um arrife de pedras ao redor da casa dos herdeiros de Fernão Afonso e daí a uma oliveira mocha, onde chamam o Penedo e onde se pôs outro marco que é na Portela do Mourisco e daí a outra oliveira à Cabeça do Cavaleiro que está no caminho dos Covões, abaixo das c asa dos Ferreiros e direito ao Ribeiro Travesso à foz do Vale de Carvalho e que entra na vintena de Alcaravela a qual vai partindo pelo dito ribeiro abaixo até à foz do Vale Saramenho pelo dito vale acima até ao Castelo de Arcez, partindo com os herdeiros de A. Raposo e com Duarte Fernandes e daí pela ribeira de Arcez a cima até ao pego do Moinho de Bandos à pedra nacediça onde se pôs a cruz e onde começou a demarcação. E para do monte dos Valhascos ir tomar água de Arcez, irá partindo da Portela do Mourisco, caminho de S. Lourenço até dar direito a Arcez, posto que dentro da demarcação fiquem três casas da vintena de Valhascos, porquanto hei por bem que fiquem no dito termo do Sardoal e sejam dele, além da aldeia e seus rossios que é concedida pelas quais divisões e confrontações se acham e afirmou partirem, e demarcarem e confrontarem as sobreditas vintenas e limite do Sardoal e aldeia dos Valhascos e se demarcou tudo por marcos e divisões na maneira sobredita segundo mais notoriamente é contido e declarado nos autos da dita demarcação que o dito Doutor Diniz Roiz assim por meu mandado fez. Por bem do qual me praz que a dita vila do Sardoal, vizinhos e moradores dela e seu termo tenham, ajam e possuam daqui em diante para sempre o dito termo e limites pelas sobreditas demarcações e confrontações assim e da maneira que nesta carta são expostas e declaradas.

E mando ao meu Corregedor da Comarca da Estremadura dê logo a posse do dito tremo e limites segundo forma desta carta. E mando a todos os meus corregedores, desembargadores, ouvidores, juízes, justiças, oficiais e pessoas a quem o conhecimento dela pertencer que lhe deixe ter e usar do dito termo e limites e lhe cumpram, guardem e façam inteiramente cumprir e guardar esta minha carta como nela se contém, sem nisso lhe ser posta dúvida, embargo, nem contradição alguma porque assim é minha mercê.

E por firmeza de tudo lhe mandei dar esta carta, por mim assinada e selada com o meu selo de chumbo. Bartolomeu BIvant a fez em Lisboa aos dez dias do Mês de Agosto do Ano do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de 1432. El-Rei.

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