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8. Vida Cultural (II)

JORNAL DE ABRANTES
2 de Outubro de 1911


Teatro no Sardoal

É hoje que aqui se realiza a festa artística do actor António Barbosa, subindo à cena pela primeira vez a comédia em dois actos “A Mosca Branca” e alguns monólogos e cançonetas, terminando o espectáculo com a comédia do teatro ginásio em Lisboa “Espada e Noiva”.

Debutam neste espectáculo as amadoras Aurora Mascarenhas e Ester Garcia, e os amadores, Diamantino Garcia, José Maria Santos, Joaquim Maria Serras e Lúcio Grácio.

Atendendo à simpatia que o beneficiado goza entre os sardoalenses é de crer que este modesto artista, tenha uma enchente completa.

O espectáculo é dedicado à direcção da Sociedade Filarmónica Sardoalense.

 
JORNAL DE ABRANTES
14 de Setembro de 1913


Correspondências – Sardoal

 Por iniciativa da Associação dos Artistas, e com o intuito de arranjar alguns fundos para o seu cofre, realiza-se nos dias 21 e 22 grandiosas festas nesta vila, que pela diversidade de divertimentos devem atrair grande quantidade de forasteiros.

O programa ainda não está organizado definitivamente porque a Associação trabalha com afã e persistência para proporcionar o maior número de atractivos possíveis.

No entanto é positivo que haverá quermesse, corridas de bicicletas de velocidade e negativas, cavalhadas de bicicletas, corridas pedestres, de púcaros e de andilhas, os bailes campestres, para o que se constituirá propositadamente  um pavilhão.

Em ambas as noites haverá vistosa iluminação e queimar-se-á vistoso fogo de artifício, preso e do ar, feito a capricho.

A Filarmónica União Sardoalense sob a hábil regência do Sr. Napier dará um concerto em ambos os dias, para o que escolheu um esmerado repertório, com o que deleitará os amadores da Arte de Mozart.

Oxalá que a Associação tire bastantes proveitos da sua tão simpática iniciativa que bem merece ser coadjuvada por todos os que se interessam pelas prosperidades desta terra.

 
21 de Setembro de 1913
Correspondências de Sardoal


Hoje e manhã, está esta vila em festa devido à iniciativa da Associação de Artistas, que não se poupando ao trabalho resolveu dar-nos dois dias de festa rija.

Manda a verdade que se diga, que todos eles fazem o máximo esforço para que ela tenha o maior brilhantismo possível, de modo, a todos os visitantes ao deixarem o Sardoal irem satisfeitos pelas alegres horas passadas nesta vila.

A parte da festa que está despertando mais entusiasmo, são as corridas de bicicletas, que se realizam na segunda feira.

Os corredores por aí se andam treinando para a sensacional corrida.

Oxalá que a desejada vitória não se transforme por alguma ribanceira, ou de encontro alguma parede, pois que os saltos de obstáculos não dão direito a prémios a não ser de desconsolação.

 
JORNAL DE ABRANTES
28 de Setembro de 1913


As Festas do Sardoal

Declaração

Ao publico e digna Comissão dos Artistas, promotora das festas realizadas nos pretéritos dias 21 e 22, declaro que a “incorrecção” do concerto musical efectuado pela banda sardoalense, foi devida simplesmente a má intenção do Sr.Raul de Carvalho, requinta da mesma filarmónica, que por divergências e rixas vermelhas, com alguns músicos, premeditou aproveitar aquela oportunidade para vingar-se, estropeando todo o repertório propositadamente, dando aso que o seu procedimento resultasse a má reputação da banda que eu destarte, espinhosamente dirijo “frisou” ainda o referido músico ao ser admoestado por mim que efectivamente estava executando traiçoeiramente, motivo que me levaria a não consentir que essa figura continuasse a estropear o concerto, se ele não tem ainda assim o bom senso de se antecipar à expulsão.

Eis pois demonstrados estes factos, para que a critica forasteira que certamente desconhece, não vá estabelecer sobre mim uma impressão hostil, pois eu, apesar de medíocre, não consentiria que o público fosse testemunha auditor de tão grandes abnegações musicais originados por vinganças mesquinhas, mas torpes, porque não tendo nada a compartilhar dessas rixas, só em mim veio a reflectir-se de momento toda a responsabilidade e o péssimo efeito de uma cilada, ainda que indirectamente, mas por isso mesmo me cumpre repeli-la na carta que me toca.

Com satisfação ao público e à critica

Sardoal, 24 de Setembro de 1913

Abílio Napier

Regente da Filarmónica União Sardoalense

30 de Novembro de 1913

Teatro Sardoalense

 No Grupo Dramático Almeida Garret, do Sardoal, e de que fazem parte os artistas Abílio Napier e Albina Napier, activam-se os ensaios da peça dramática “Noite de Natal”, primoroso original do distinto quartanista da Faculdade de Direito Sr. David Serras Pereira, sobrinho do ilustre Dr. João Serras e Silva, Lente da Universidade de Coimbra.

A peça impõe-se pelo empolgante das suas situações dramáticas, e encerra um verdadeiro cunho de linguagem portuguesa, revelando bem as faculdades de inteligência do seu autor a quem certamente está reservado um lugar de destaque entre futuros escritores da nossa Pátria.

Há grande interesse pela primeira representação da peça, cuja mise-en-cene foi confiado pelo autor ao Sr. Abílio Napier, ensaiador do referido grupo dramático.

14 de Junho de 1914

A Música no Sardoal

Podem ufanar-se os Sardoalenses pelo considerável melhoramento que devido aos esforços e boas vontades dos Exmºs Srs. Dr. José Gonçalves Caroço, Abílio da Fonseca Matos e Silva  e Máximo Martins Salgueiro, acaba de ser introduzido na sua terra natal.

É que está provado que ainda nos mais recônditos cantos da província, os povos trabalham  com denotada ansiedade, pelo desenvolvimento das artes e pelo progresso da sua pátria, cujas evoluções nos últimos tempos, são sobeja garantia para enfileirarmos Portugal com as mais civilizadas nações da Europa.

E assim aqueles senhores num rasgo de patriotismo e amor pelas artes  acabam de melhorar consideravelmente a conhecida Filarmónica União Sardoalense, restaurando todo o instrumental e fazendo aquisição de novos músicos e outros já experimentados e de segura competência, que com os seus colegas antigos, aprovaram e assinaram no Cartório do Exmº Sr. João dos Santos Pereira um contrato por 3 anos, cujos artigos vão ser submetidos à aprovação do Governo.

E antes assim, porque sendo o Sardoal uma das terras da província que maiores provas de aptidão para a música tem demonstrado, era para lastimar que por simples indolência se votasse  ao ostracismo, o amor pela mais sublime das Belas-Artes.

Por instância da ilustre comissão dirigente da filarmónica, também por desejo dos músicos e do povo, continuará regendo a banda o modesto artista que estas linhas escreve, e que apesar de não pertencer à plêiade dos “célebres” envidará todos os esforços para secundar a obra altruísta da comissão, em prol da arte e para a honra da classe, a que se orgulha de pertencer.

Avante, pois, e muitos parabéns ao povo do Sardoal, de quem se espera também todo o auxílio possível, visto que está sempre pronto a sacrificar-se pelo engrandecimento da sua terra.

Sardoal, Junho de 1914

Abílio Napier

(Rei – Pan)

 
7 de Junho de 1915

Abílio Napier – Ensaiador de Música

Participa que pedirá a demissão do seu lugar regente da Filarmónica Sardoalense, logo que se encontre desligado de todos os contratos firmados pela direcção da referida banda, e que terminam em Outubro próximo, ficando desde então ao dispor de quem pretenda utilizar-se dos seus modestos serviços musicais.

Sardoal, 15 de Junho de 1915

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