Reflexões


Boas Festas

Publicado a 22/12/2011 10:19 por Luís Gonçalves

NATAL: A FESTA DA FAMÍLIA

Quando eu era criança não se falava do Pai Natal. A figura central da quadra natalícia era o Menino Jesus e a construção do Presépio era o momento alto dos dias que antecediam o Natal. Na casa dos meus pais nunca se armou uma árvore de Natal e as poucas prendas que eu recebia eram colocadas no sapatinho que eu, ingenuamente, deixava na lareira, na esperança de que o Menino Jesus descesse pela chaminé e ali deixasse os ambicionados presentes que povoavam os meus sonhos infantis,
Com excepção dos dois dias de Natal que passei no Ultramar (um em Angola e o outro em Moçambique) durante a Guerra Colonial, os meus Natais foram sempre passados em Família, primeiro na casa dos meus Pais e, pelo menos, nos últimos 30 anos, em minha casa.
Com o nascimento dos meus Filhos o Natal ganhou um novo significado e consagrou ainda mais a minha convicção de que o Natal é, por excelência, a Festa da Família.
Como católico comemoro, também, no dia 25 de Dezembro, o nascimento de Jesus, tão simbolicamente evocado no Presépio, que é, para mim, a imagem da unidade familiar e da harmonia que deve existir no seio da Família, enquanto célula fundamental da sociedade em que vivemos.

Para todos, os meus sinceros votos de um Natal Feliz, vivido na harmonia familiar e um próspero ano de 2012, com muita saúde, esse bem inestimável a que só damos verdadeiramente valor quando o perdemos, sendo esta uma verdade que a minha experiência pessoal tem vindo a confirmar nos últimos nove anos!

Novidades - 19/12/2011

Publicado a 19/12/2011 15:42 por Luís Gonçalves   [ atualizado a 19/12/2011 16:07 ]

Novidades - 07/09/2011

Publicado a 07/09/2011 15:18 por Luís Gonçalves

Património Cultural - Memórias das Festas I

QUADROS DA HISTÓRIA DE PORTUGAL

Publicado a 25/06/2011 06:40 por Luís Gonçalves

Deuladeu Martins

Durante as guerras de D. Fernando I de Portugal com Henrique II de Castela, veio Pedro Rodrigues Sarmento, adiantado de Galiza, pôr cerco à vila de Monção.

Foi então que a Providência, que muitas vezes se serve dum fraco instrumento para acções grandiosas, inspirou a uma mulher o como salvaria Monção de cair em poder de tão desapiedados inimigos.
 Deuladeu Martins, esposa do capitão-mór daquela vila, Vasco Gomes de Abreu, era uma dessas mulheres de que a História nos aponta exemplos que ocultam, em peito feminino, um coração varonil. Onde o perigo era maior, lá aparecia com o denodo de um soldado corajoso e animando a todos, como o faria um chefe valoroso e dedicado.

Infelizmente tinham chegado as coisas a um ponto em que estava passado o tempo para os actos de valor, isto é, em que era inútil para os sitiados o valor das armas. A fome, zombando do esforço humano, ia pôr termo a tão heróica resistência.

Deuladeu Martins, que, enquanto teve pão para dar, o ia repartindo pelos soldados, adiando a hora fatal do rendimento da praça, chegou uma vez ao seu celeiro, e só encontrou nele uma exígua porção de farinha, com que apenas poderia fabricar alguns poucos pães. A outro qualquer desfalecer-lhe-ia o ânimo e romperia em lágrimas, vendo, nesses míseros restos do seu provimento triste anúncio da morte ou do cativeiro. Porém, a uma alma daquela têmpera a grandeza do infortúnio costuma exaltar o espírito e o pensamento. E, com efeito, a iminência do perigo sugeriu-lhe urna ideia luminosa, que Deus se dignou de coroar.

A resoluta dama, sabendo que aos inimigos começava a escassear o pão, pega da farinha, manda-a amassar e cozer, e, depois, enchendo o regaço com os pães que ela produzira, sobe às muralhas, e daí os lança aos Castelhanos, dizendo-lhes:

  — A vós, que não podendo conquistar-nos pela força das armas, nos haveis querido render pela fome, nós, mais humanos, e porque, graças a Deus, nos achamos bem providos, vendo que não estais fartos, vos enviamos esse socorro, e vos daremos mais, se o pedirdes.

Ficaram os inimigos tão desconcertados com esta acção (que os fez crer em que a praça estava abundante de mantimentos) que, perdendo a esperança de a submeter, e, já cansados, levantaram o cerco.

Fonte: VASCONCELLOS, J. Leite de, Contos Populares e Lendas II, Coimbra, por ordem da universidade, 1966 , p.683-684


O ALCAIDE DO CASTELO DE FARIA

Reinava entre nós dom Fernando. Este príncipe, que tanto degenerava de seus antepassados em valor e prudência, fora obrigado a fazer paz com os castelhanos, depois de uma guerra infeliz, intentada sem justificados motivos, e em que se esgotaram inteiramente os tesouros do Estado. A condição principal, com que se pôs termo a esta luta desastrosa, foi que dom Fernando casasse com a filha d’el-rei de Castela. Mas brevemente a guerra se acendeu de novo; porque dom Fernando, namorado de dona Leonor Teles, sem lhe importar o contrato de que dependia o repouso dos seus vassalos, a recebeu por mulher, com afronta da princesa castelhana. Resolveu-se o pai a tomar vingança da injúria, ao que o aconselhavam ainda outros motivos. Entrou em Portugal com um exército e, recusando dom Fernando aceitar-lhe batalha, veio sobre Lisboa e cercou-a. Não sendo o nosso propósito narrar os sucessos deste sítio, volveremos o fio do discurso para o que sucedeu no Minho.

O adiantado de Galiza, Pedro Rodriguez Sarmento, entrou pela província de Entre-Douro e Minho com um grosso corpo de gente de pé e de cavalo, enquanto a maior parte do pequeno exército português trabalhava inutilmente ou por defender ou por descercar Lisboa. Prendendo, matando e saqueando, veio o adiantado até às imediações de Barcelos, sem achar quem lhe atalhasse o passo; aqui, porém, saiu-lhe ao encontro dom Henrique Manuel, conde de Seia e tio d’el Rei dom Fernando, com a gente que pôde ajuntar. Foi terrível o conflito; mas, por fim, foram desbaratados os portugueses, caindo alguns nas mãos dos adversários.

Entre os prisioneiros contava-se o alcaide-mor do Castelo de Faria, Nuno Gonçalves. Saíra este com alguns soldados para socorrer o conde de Seia, vindo, assim, a ser companheiro na comum desgraça. Cativo, o valoroso alcaide pensava em como salvaria o castelo d’el-rei seu senhor das mãos dos inimigos. Governava-o em sua ausência um seu filho, e era de crer que, vendo o pai em ferros, de bom grado desse a fortaleza para o libertar, muito mais quando os meios de defesa escasseavam. Estas considerações sugeriram um ardil a Nuno Gonçalves. Pediu ao adiantado que o mandasse conduzir ao pé dos muros do castelo, porque ele, com suas exortações, faria com que o filho o entregasse, sem derramamento de sangue.

Um troço de besteiros e de homens de armas subia a encosta do monte da Franqueira, levando no meio de si o bom alcaide Nuno Gonçalves. O adiantado de Galiza seguia atrás com o grosso da hoste, e a costaneira ou ala direita, capitaneada por João Rodriguez de Viedma, estendia-se, rodeando os muros pelo outro lado. O exército vitorioso ia tomar posse do Castelo de Faria, que lhe prometera dar nas mãos o seu cativo alcaide

De roda da barbacã alvejavam as casinhas da pequena povoação de Faria, mas silenciosas e ermas. Os seus habitantes, apenas enxergaram ao longe as bandeiras castelhanas, que esvoaçavam soltas ao vento, e viram o refulgir cintilante das armas inimigas, abandonando os seus lares, foram acolher-se no terreiro que se estendia entre os muros negros do castelo e a cerca exterior ou barbacã. Nas torres, as atalaias vigiavam atentamente a campanha, e os almocadéns corriam com a rolda pelas quadrelas do muro e subiam aos cubelos colocados nos ângulos das muralhas. O terreiro onde se haviam acolhido os habitantes da povoação estava coberto de choupanas colmadas, nas quais se abrigava a turba dos velhos, das mulheres e das crianças, que ali se julgavam seguros da violência de inimigos desapiedados.

Quando o troço dos homens de armas que levavam preso Nuno Gonçalves vinha já a pouca distância da barbacã, os besteiros que coroavam as ameias encurvaram as bestas, os homens dos engenhos prepararam-se para arrojar sobre os contrários as suas quadrelas e virotões, enquanto o clamor e o choro se alevantavam no terreiro, onde o povo inerme estava apinhado.

Um arauto saiu do meio da gente da vanguarda inimiga e caminhou para a barbacã, todas as bestas se inclinaram para o chão, e o ranger das máquinas converteu-se num silêncio profundo.
— Moço alcaide, moço alcaide! — bradou o arauto — teu pai, cativo do mui nobre Pedro Rodriguez Sarmento, adiantado de Galiza pelo mui excelente e temido dom Henrique de Castela, deseja falar contigo, de fora do teu castelo.

Gonçalo Nunes, o filho do velho alcaide, atravessou então o terreiro, e chegando à barbacã, disse ao arauto:
— A Virgem proteja meu pai. Dizei-lhe que eu o espero.

O arauto voltou ao grosso de soldados que rodeavam Nuno Gonçalves, e depois de breve demora o tropel aproximou-se da barbacã. Chegados ao pé dela, o velho guerreiro saiu dentre seus guardadores e falou com o filho:

— Sabes tu, Gonçalo Nunes, de quem é esse castelo que, segundo regimento de guerra, entreguei à tua guarda quando vim em socorro e ajuda do esforçado conde de Seia?
— É — respondeu Gonçalo Nunes — de nosso rei e senhor dom Fernando de Portugal, a quem por ele fizeste preito e menagem.

— Sabes tu, Gonçalo Nunes, que o dever de um alcaide é de nunca entregar, por nenhum caso, o seu castelo a inimigos, embora fique enterrado debaixo das ruínas dele?
— Sei, ó meu pai! — prosseguiu Gonçalo Nunes em voz baixa, para não ser ouvido dos castelhanos, que começavam a murmurar. — Mas não vês que a tua morte é certa, se os inimigos percebem que me aconselhaste a resistência?
Nuno Gonçalves, como se não tivera ouvido as reflexões do filho, clamou então:
— Pois se o sabes, cumpre o teu dever, alcaide do Castelo de Faria! Maldito por mim, sepultado sejas tu no inferno, como Judas o traidor, na hora em que os que me cercam entrarem nesse castelo, sem tropeçarem no teu cadáver.

— Morra! — gritou o almocadén castelhano. — Morra o que nos atraiçoou.
E Nuno Gonçalves caiu no chão, atravessado de muitas espadas e lanças.
— Defende-te, alcaide! — foram as últimas palavras que ele murmurou.

Gonçalo Nunes corria como louco ao redor da barbacã, clamando vingança. Uma nuvem de frechas partiu do alto dos muros; grande porção dos assassinos de Nuno Gonçalves misturara o próprio sangue com o sangue do homem leal ao seu juramento.

Os castelhanos acometeram o castelo; no primeiro dia de combate o terreiro da barbacã ficou alastrado de cadáveres tisnados e de colmos e ramos reduzidos a cinzas. Um soldado de Pedro Rodriguez Sarmento tinha sacudido com a ponta da sua longa chuça um colmeiro incendiado para dentro da cerva; o vento suão soprava nesse dia com violência, e em breve os habitantes da povoação, que haviam buscado o amparo do castelo, pereceram juntamente com as suas frágeis moradas.

Mas Gonçalo Nunes lembrava-se da maldição de seu pai. Lembrava-se de que o vira moribundo no meio dos seus matadores, e ouvia a todos os momentos o último grito do bom Nuno Gonçalves: "Defende-te, alcaide!"

O orgulhoso Sarmento viu a sua soberba abatida diante dos torvos muros do Castelo de Faria. O moço alcaide defendia-se como um leão, e o exército castelhano foi constrangido a levantar o cerco.

Gonçalo Nunes, acabada a guerra, era altamente louvado pelo seu brioso procedimento e pelas façanhas que obrara na defesa da fortaleza cuja guarda lhe fora encomendada por seu pai no último transe da vida. Mas a lembrança do horrível sucesso estava sempre presente no espírito do moço alcaide. Pedindo a el-Rei o desonerasse do cargo que tão bem desempanhara, foi depor ao pé dos altares a cervilheira e o saio de cavaleiro, para se cobrir com as vestes pacíficas do sacerdócio. Ministro do santuário, era com lágrimas e preces que ele podia pagar a seu pai o ter coberto de perpétua glória o nome dos alcaides de Faria.

Mas esta glória, não há hoje aí uma única pedra que a ateste. As relações dos historiadores foram mais duradouras que o mármore.

(Alexandre Herculano, "Lendas e Narrativas")

 

A recente evolução da situação portuguesa, em termos políticos, económicos, financeiros e sociais, trouxe-me à memória alguns quadros relacionados com a História de Portugal, que povoaram o meu imaginário infantil e juvenil, com destaque para esta lenda (?) de Monção e para o Alcaide de Faria, magistralmente descrito por Alexandre Herculano, nas suas Lendas e Narrativas.

Quando me lembrei das figuras de Deuladeu Martins e do Alcaide de Faria, fui obrigado a tentar encontrar algum paralelo entre o que seria o conceito de honra e dignidade na segunda metade do século XIV e na actualidade. Esta reflexão levou-me a tentar identificar situações actuais que se pudessem comparar com a situação retratada pela lenda de Monção e a primeira que me ocorreu envolve o nosso Governo, em geral, e José Sócrates, em particular, e a sua propalada teimosia em anunciar grandes obras públicas, num momento em que o nosso País não tem dinheiro para garantir a satisfação das mais elementares necessidades do Estado. Os «castelhanos» do nosso tempo são os mercados financeiros, a quem se procura, assim, transmitir a ideia de que vivemos numa grande abundância. Só que os «castelhanos» do século XXI, não se deixam iludir e não levantam o cerco, como fizeram os sitiantes de Monção, caindo na esparrela imaginada por Deuladeu Martins e não ficou outra alternativa que não fosse a de meter o rabinho entre as pernas e ir pedir ajuda.

Também em termos locais não é difícil encontrar situações que se possam comparar a estes episódios da História de Portugal, sob uma perspectiva negativa, acentuando a grande diferença que, passados mais de seis séculos, têm os conceitos de patriotismo, lealdade, dignidade e honra…, mas deixo aos meus leitores o exercício de encontrarem essas situações. Tentem e verão que é muito mais fácil do que pode parecer!..


EFEMÉRIDE

Não me apercebi que tivesse sido comemorado o 1º centenário da Filarmónica União Sardoalense que ocorreu no passado mês de Março, um marco muito importante da história cultural do Concelho de Sardoal.

Calculo que estejam a reservar energias e meios para as comemorações dos 150 anos da nossa Filarmónica, que se completa, no doa 3 de Agosto de 2012. É, também, uma data muito importante, mas convém ter presente que 3 de Agosto de 1862 é a data da fundação da Sociedade Filarmónica Sardoalense, uma das Filarmónicas que em Março de 1911, deu origem à Filarmónica União Sardoalense, sendo a outra a Sociedade Fraternidade Sardoalense que tinha sido criada nos primeiros anos do século XX.

A este respeito podem ser consultadas as notícias publicadas, na altura, no Jornal de Abrantes, recentemente transcritas neste blogue.


NA BLOGOSFERA SARDOALENSE

Pelo seu interesse e pertinência recomendo a leitura do post sobre a prestação de contas de 2010 da Câmara Municipal de Sardoal, colocado no site do Partido Socialista – Sardoal, no passado dia 9 de Maio. (http://sardoalps.blogspot.com/

Novidades - 27-05-2011

Publicado a 27/05/2011 14:19 por Luís Gonçalves

Novidades - 9-04-2011

Publicado a 09/04/2011 10:23 por Luís Gonçalves

Novidades - 23-03-2011

Publicado a 23/03/2011 17:31 por Luís Gonçalves

Sardoal: 1900-1920 - Notícias de há 100 anos (VII)

Saúde

Publicado a 28/02/2011 12:09 por Luís Gonçalves   [ atualizado a 28/02/2011 12:12 ]

Falta de médicos causa situação "dramática" em Abrantes e Sardoal

A falta de médicos de clínica geral está a preocupar os autarcas de Abrantes e de Sardoal, que consideram a situação "dramática" e afirmam que, em termos de acesso a cuidados médicos de saúde primários, "pior não é possível". 
No concelho de Abrantes, com 19 freguesias e perto de 42 mil habitantes, dos 30 médicos de família previstos apenas 11 estão ao serviço. No vizinho concelho de Sardoal, com quatro freguesias e onde habitam cerca de 4.000 pessoas, a população está sem um único dos três médicos de clínica geral que ali deveriam prestar cuidados de saúde. 

Sem acesso direto a cuidados de saúde primários e com uma população envelhecida, à comunidade de Sardoal resta a alternativa de recorrer ao Centro de Saúde de Abrantes, a cerca de 20 quilómetros, e também ele com problemas na prestação de serviços médicos à sua população. 

A utente Rosa Ramos, de 54 anos, disse à Lusa que o problema "é grave", lembrado que no centro de saúde de Sardoal, desde o final de 2010, "presta-se apenas o serviço de receituário e de enfermagem". 

Segundo esta residente, a alternativa mais próxima é em Abrantes, alertando, no entanto, que, na falta de transportes públicos, uma deslocação implica ter viatura própria ou alugar um táxi, o que"não é fácil" para as pessoas mais idosas. 

Já José Faria, de 63 anos, considera que as gentes de Sardoal estão a viver uma tragédia. 

"As pessoas têm de ir para Abrantes, mas lá parece que também não há médicos. É uma tragédia, porque custa muito dinheiro, mas se eu tiver de recorrer a um médico se calhar terei de ir a Lisboa", afirmou. 

Miguel Borges, vice-presidente da Câmara Municipal de Sardoal, disse à Lusa que o concelho"bateu no fundo" em termos de prestação de cuidados médicos, acrescentando que "pior não é possível". 

De acordo com o autarca, "nem os três profissionais de saúde previstos para servir a população seriam suficientes", tendo em conta o seu envelhecimento e a necessidade de outro tipo de cuidados, como os de saúde mental. 

Para a presidente da Câmara de Abrantes, Maria do Céu Albuquerque, a situação é "dramática". 

Esta autarca disse à agência Lusa estar na expetativa da chegada de médicos oriundos de países sul-americanos para minimizar as lacunas existentes. 

Enquanto isso, a autarca disse que vai investir este ano na aquisição de duas unidades móveis de saúde para chegar às populações mais isoladas. 

Por seu turno, Manuel Soares, porta-voz da Comissão de Utentes da Saúde do Médio Tejo (CUSMT), que abarca uma sub-região com 15 municípios e 180 mil pessoas, defendeu a criação de"medidas de exceção", nem que isso implique o recurso à contratação de médicos estrangeiros. 

"Para situações extraordinárias, medidas extraordinárias", vincou. 

Fernando Siborro, diretor executivo do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Zêzere, disse à Lusa que é "impossível solucionar a questão", porque "os (médicos) que deixaram de trabalhar por motivos de serviço, de aposentações e de saúde, não têm quem os substitua". 
Segundo este responsável, "anunciam-se dias mais difíceis, porque há muitos médicos que se vão reformar nos próximos tempos e não vai haver novos profissionais para os substituir a curto, ou mesmo médio prazo". 

Novidades - 11-01-2011

Publicado a 11/01/2011 11:29 por Luís Gonçalves

Memórias Gastronómicas - Guia da Gastronomia

O Espírito de Natal

Publicado a 30/12/2010 10:04 por Luís Gonçalves   [ atualizado a 30/12/2010 10:13 ]

O Natal é e sempre foi, para mim, a festa da Família, a tal ponto que dos cinquenta e oito natais que já vivi, apenas dois não foram vividos no convívio com os meus familiares mais directos. Foi nos já longínquos anos de 1973 e 1975, sendo o primeiro passado em Angola e o segundo em Moçambique, quando cumpria o serviço militar nessa duas ex-colónias de Portugal.

Nas minhas memórias da infância guardo, com muito carinho, as memórias dos Natais que sempre passei em Entrevinhas e, em especial, da construção do Presépio, quer na minha casa, quer mais tarde, na Escola Primária e na Capela de Santo António, momentos aguardados com grande ansiedade e vividos com um entusiasmo intenso, que começava na apanha dos musgos e culminava no acto de acender as lamparinas, colocadas em caixas de graxa, ciosamente guardadas ao longo do ano para nelas ser deitado o azeite que alimentava, como combustível, as lamparinas que com a sua luz trémula iluminavam o Menino Jesus e as restantes figuras do Presépio.

Num tempo em que ainda se não falava do Pai Natal, nem na árvore de Natal, o Menino Jesus era a figura central do Natal, que alimentava as esperanças infantis de que não se esquecesse de passar pela nossa chaminé, onde o sapatinho era colocado com ansiedade para receber as prendas que o Menino entendesse trazer-nos, sempre modestas, num tempo em que ainda se sentiam as dificuldades do pós-guerra.

Não me recordo de alguma vez ter recebido um brinquedo no meu sapatinho. Os tempos eram difíceis e era preciso juntar o útil ao agradável, daí que as minhas prendas de Natal tivessem sempre utilidade para o dia a dia: caixas de lápis de cor, cadernos, peúgas, etc. Só mais tarde quando já tinha nove ou dez anos é que começaram a aparecer algumas guloseimas que faziam parte do cabaz de Natal que os patrões do meu Pai costumavam oferecer, a partir da altura em que o meu Pai deixou de ser trabalhador rural e passou a ser operário fabril em Alferrarede.

O meu cerimonial da noite de Natal mudou quando por volta dos treze catorze anos fui admitido no grupo dos mais velhos e autorizado a acompanhá-los na procura e transporte do madeiro de Natal, com o qual se fazia uma enorme fogueira no adro da Capela de Santo António que ardia pelo menos até ao dia de Ano Novo e onde a rapaziada passava a maior parte da noite de Natal.

A partir de 1979, o Natal ganhou um novo significado para mim, sendo obrigado, por força das circunstâncias familiares, o nascimento do meu primeiro filho, o Luís Filipe e dos gémeos Pedro e Tiago em 1986, fui forçado a entrar na era do Pai Natal. A partir de 1979 o Natal da Família foi sempre passado em minha casa, como ainda aconteceu neste ano. É verdade que a magia do Natal, para mim, só durou enquanto os meus filhos acreditaram no Pai Natal, mas espero recuperar essa magia, se tiver a felicidade de conviver alguns anos com os netos que os meus filhos, eventualmente, me vierem a dar.

Não quis escrever este pequeno texto antes do Natal, deixando essa tarefa para alguns dias depois. Preferi deixar passar a febre consumista que o Natal dos nossos dias contém e a avalanche de mensagens, algumas de circunstância, que inundam as caixas de mensagens dos telemóveis, para deixar uma mensagem de Natal para os meus Amigos leitores. Desejo a todos que o espírito do Natal dure ao longo d o ano, que os presentes surjam todos os dias. Enfim, que o Natal não seja um dia, mas todos os dias.

Confesso que tentei escrever um texto optimista sobre o ano de 2011 que aí vem, mas não consegui! Antevejo um ano muito difícil e o que mais desejo a todos é que vivam o próximo ano o melhor possível, com saúde, paz social e harmonia familiar, pois este é o único escudo que conheço para atenuar ou vencer a crise que aí vem!

Numa próxima oportunidade tentarei fazer o meu balanço do ano de 2010.

1-10 of 112

Navegação

O autor

Luís Manuel Gonçalves

goncalves.lmanuel@gmail.com