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5. Património Cultural

Notas finais sobre a Igreja Matriz e sobe a Paróquia de S. TIAGO e S. Mateus de Sardoal, com que encerro, para já  o ciclo de artigos dedicados à  Igreja Matriz de Sardoal.

Neste trabalho estão incluídos alguns registos muito interessantes sobre a Confraria de S. Guilherme, de Andreus e sobre a Capela de Nossa Senhora da Graça de Valhascos, para além de muitas notas dispersas sobre outras capelas da referida paróquia. 

AUTO DO INVENTÁRIO DOS BENS DE RAIZ, JUROS, FOROS, VASOS SAGRADOS, PARAMENTOS E ALFAIAS, PERTENCENTES À FÁBRICA DA PARÓQUIA DO SARDOAL, A CARGO DA COMISSÃO ADMINISTRATIVA DA MESMA PARÓQUIA. 

      Aos dez dias do mês de Dezembro do ano de mil novecentos e dez, na sacristia da Igreja Matriz da Freguesia de S. Tiago e S. Mateus do Sardoal, estando presentes o Pároco da Freguesia, Presidente nato da Junta de Paróquia transacta António Joaquim da Silva Martins, e os membros da Comissão Paroquial ultimamente nomeados para administrarem os negócios da Junta: - Joaquim Moreira Neto - Presidente - Henrique Matias - Secretário - Joaquim Baptista Júnior - Tesoureiro e os Vogais Miguel Alves Reis e  Manuel Navalho, se procedeu ao arrolamento de todos os objectos pertencentes à Fábrica da Igreja e revisão do inventário existente, em cumprimento do artigo 166º do Código Administrativo de 1878 e ofício do Exmº Senhor Administrador do Concelho, pela forma seguinte: 

INVENTÁRIO DOS BENS DE RAIZ, VASOS SAGRADOS, PARAMENTOS E ALFAIAS PERTENCENTES À JUNTA DE PARÓQUIA DA FREGUESIA DE SÃO TIAGO E SÃO  MATEUS DO SARDOAL 

1ª  SECÇÃO 

      BENS DE RAIZ

  1. Uma propriedade que consta de terra de semeadura com oliveiras junto à Capela pública de São Simão que serve de logradouro ao povo em ocasião de festividade.
  2. Quatro oliveiras ralias junto à Fonte Velha desta vila - uma ao meio da estrada que vem da Ribeira Pequena, duas em frente do valado e uma dentro da propriedade de D. Maria Eufrázia (Foram vendidas para lenha por motivo da sua caducidade.
  3. Capela em ruínas denominada S. Miguel de Alferrarede, junto à Ribeira de S.Simão, compreendendo Sacristia, cemitério já profanado e adro fronteiro. Por mil metros quadrados de terreno.
  4. Anexas à Igreja Matriz existem nesta vila as capelas públicas de São Sebastião, Espírito Santo e Santa Catarina.
 

      CAPITAIS MUTUADOS

  1. Um capital de 90$000 réis (noventa mil réis) mutuado a Manuel Lopes e sua mulher Maria Lourença, dos Valhascos, escritura de 27 de Novembro de 1865 - vence o juro de 4$500 réis (quatro mil e quinhentos réis) ao ano (Pertencia à extinta Confraria da Senhora da Graça dos Valhascos).
  2. Um capital de 20$000 réis (vinte mil réis) mutuado a Joaquim Pedro, do lugar da Presa, freguesia de Alcaravela. Título particular de 17 de Junho de 1894, vence o juro de mil réis ao ano. (Pertencia à extinta Confraria de Santo António de Entrevinhas).
 

      INSCRIÇÕES

  1. Duas inscrições de cem mil réis com os números 228.397 - 228.398. Três inscrições de cem escudos 172846, 172847 e 172 848.
  2. Um certificado de cinquenta mil réis com o nº 18460 e ainda mais as inscrições nº 109.211, 150.754, 208.243, 8.430, 16.612 e 208.973 de cem escudos cada.
 

      FÓROS

      Todos os foros descritos no presente inventário pertenciam às extintas Confrarias de São Pedro e São João Baptista.

  1. Domínio directo em uma propriedade que consta de horta, vinha, oliveiras e terra de semeadura no sítio da Ribeira Abaixo, chamada Horta das Nogueiras. Enfiteuta António Duarte Pires, por compra a D. Luísa Henriqueta. Escritura de 7 de Novembro de 1848 - avaliado em 60.500 réis pensão anual de 3.000 réis.
  2. Domínio directo imposto em uma propriedade que consta de terra de pão e árvores, no sítio do Vale Zangão, confina com herdeiros de António da Fonseca Mota e águas correntes. Enfiteuta António Duarte Pires por compra e escritura de 16 de Novembro de 1837 - avaliado em 220.000 réis - pensão anual de 5.000 réis.
  3. Domínio directo imposto num olival no sítio da Eira de João Afonso. Enfiteuta herdeiros de Emídio António Mora. Escritura de 27 de Janeiro de 1765 - avaliado em 32.500 réis - pensão anual de 1.500 réis.
  4. Domínio directo imposto em uns olivais à Eira d’Ordem e Vale da Gala. Enfiteuta Herdeiros de António da Fonseca Mota, desta vila - avaliado em 122$000 réis - pensão anual de seis mil réis (6.000 réis).
  5. Domínio directo imposto em uma propriedade que consta de terra de semeadura, árvores de fruto no sítio do Curral da Serra. Enfiteuta Francisco da Silva Casado. Vencimento em 3 de Maio - avaliado em 80$000 réis - pensão anual de 1.000 réis.
  6. Domínio directo imposto em uma horta à Ponte de S. Francisco, na Ribeira do Cadaval. Enfiteuta José Maria da Silva Ferreira - avaliado em 41.500 réis - pensão anual de 2.000 réis.
  7. Domínio directo imposto em cinco quinchosos no sítio do Bogalhinho. Enfiteuta José Maria da Silva Ferreira - avaliado em 41.500 réis - pensão anual de 2.600 réis.
  8. Domínio directo imposto em umas oliveiras no sitio das Nogueiras e outras à Fonte dos Lobos. Enfiteuta D. Maria Rovisca - avaliado em 16.025 réis - pensão anual de 800 réis.
  9. Domínio directo imposto em um olival no sítio da Lameira Redonda. Enfiteuta D. Maria Rovisca - avaliado em 11.750 réis - pensão anual de 500 réis.
  10. Domínio directo imposto em um olival no sítio do Rosal. Enfiteuta Miguel Serrão Burguete - avaliado em 82.700 réis - pensão anual 3.600 réis.
 

2ª  SECÇÃO

VASOS SAGRADOS 

  1. Cibório de prata lavrada, perfumado a ouro interiormente - oferecido por Francisco Afonso Bernardes, desta vila, como consta da acta da Junta de 15 de Março de 1906.
  2. Dois relicários pequenos em prata para o Sagrado Viático aos Enfermos.
  3. Uma custódia pequena de prata.
  4. Quatro cálices de prata.
 
 
 

Outros objectos preciosos 

  1. Uma pequena cruz em prata com o Santo Lenho.
  2. Uma dita em prata de Santo António.
  3. Cinco coroas de prata: Espírito Santo com uma pomba ao centro - Senhora da Conceição, Menino Jesus (duas - uma miniatura) e Senhora da Luz.
  4. Dois diademas: Senhora das Dores e Espírito Santo.
  5. Onze resplendores: São Tiago, São Mateus, Santo António, São Zacarias, Santo Amaro, São João, Santa Isabel, São Jacinto, São Francisco, São Domingos e São Luís.
  6. Um pequeno berço de prata lavrada com uma imagem de Nossa Senhora da Conceição em miniatura; serve nas festas do Natal. Oferta de Francisco Afonso Bernardes, desta vila.
 

3ª  SECÇÃO

PARAMENTOS 

      EM BRANCO

  1. Quatro casulas com seus pertences (duas em mau uso).
  2. Duas dalmáticas.
  3. Um véu de ombros.
  4. Uma capa d’asperges.
  5. Um frontal para o altar-mor.
  6. Um frontal para o púlpito.
  7. Um pano para a estante.
  8. Uma manga para a cruz paroquial.
  9. Duas estolas paroquiais.
  10. Uma estola branca e roxa.
  11. Seis bolsas de corporais e seus véus.
 

      EM ENCARNADO

  1. Quatro casulas  e seus pertences (três em mau uso)
  2. Duas dalmáticas.
  3. Um véu de ombros.
  4. Uma estola paroquial.
  5. Três bolsas de corporais e seus véus.
  6. Um pano para a estante do missal.
  7. Duas capas de asperges.
  8. Dois frontais - Altar-mor e púlpito.
  9. Um docel para o andor do Espírito Santo.
  10. Uma manga para a cruz paroquial.
 

      EM ROXO

  1. Três casulas e seus pertences.
  2. Duas dalmáticas.
  3. Uma estola paroquial e um estolão.
  4. Duas bolsas corporais e seus véus.
  5. Um véu de ombros.
  6. Uma manga para a cruz paroquial.
  7. Dois frontais - altar-mor e púlpito.
  8. Dois panos para a estante do missal.
  9. Uma capa de asperges
 

      EM VERDE

  1. Duas casulas e seus pertences.
  2. Duas dalmáticas.
  3. Um frontal para o altar-mor
  4. Duas bolsas de corporais e seus véus.
  5. Um pano de estante.
  6. Uma capa de asperges.
  7. Uma estola paroquial.
 

      EM PRETO (oferta do Padre Gregório Pereira Tavares à Igreja Matriz)

  1. Duas casulas e seus pertences.
  2. Duas dalmáticas.
  3. Três bolsas de corporais e seus véus.
  4. Uma estola e um estolão.
  5. Um frontal do altar-mor.
  6. Uma manga de cruz.
  7. Quatro almofadas.
  8. Um pano para a estante.
 

DIVERSOS

  1. Dois pingentes para as dalmáticas.
  2. Vinte cortinados roxos para cobrir os Santos pela Paixão.
  3. Nove frontais que servem nos nichos e altares laterais.
  4. Um manto de seda bordado a ouro para Nossa Senhora da Conceição (oferecido por Francisco Afonso Bernardes, em 5/12/1906).
 

ROUPA BRANCA

  1. Seis alvas e três cíngulos.
  2. Dez amitos.
  3. Dezasseis manustérgios.
  4. Dezasseis pares corporais.
  5. Vinte e nove sanguíneos.
  6. Quatro toalhas do altar-mor.
  7. Vinte e sete toalhas com renda dos outros altares.
  8. Onze toalhas lisas de forrar.
  9. Sete toalhas de mãos.
  10. Sete pálas circulares.
  11. Dezoito capas brancas.
 

OBJECTOS DE PIEDADE

- IMAGENS -

  1. S.Tiago, S.Mateus, Senhora da Conceição, Senhora do Pranto, Santo António, Santa Luzia, Santa Maria Madalena, Salvador do Mundo, Senhor das Chagas, Senhora das Dores, São Roque, São Pedro, Santo André, São Luís Gonzaga, São Nicolau, São Jacinto, São Francisco, Santa Isabel, São Domingos, São João Baptista, Senhora da Luz com o Menino, São Zacarias, Senhora do Rosário, São José e Senhora da Piedade.
 

RETÁBULOS

  1. Anunciação, São Gabriel, São João e São Mateus.
  2. Dois crucifixos: um em marfim na sacristia e outro em pau dourado no altar-mor.
  3. Seis crucifixos de chumbo e trinta castiçais do mesmo metal (seis destes castiçais estão em serviço no Convento)
  4. Trinta e oito castiçais de chumbo - pé redondo (12 destes castiçais estão em serviço no Convento).
  5. Doze castiçais em madeira dourados.
  6. Uma campainha de bronze.
  7. Um vaso de estanho.
  8. Seia lâmpadas pequenas para os altares e dois nichos.
  9. Dois turíbulos de metal.
  10. Uma escrivaninha de metal.
  11. Uma cruz procissional.
  12. Cinco jogos de sacras.
 

MOBÍLIA

(Oferta do Cónego Mora em 13 de Julho de 1904)

  1. Um espelho de cristal.
  2. Um armário fechado.
  3. Três mesas.
  4. Quatro ditas para encosto.
  5. Dois bancos caixotes.
  6. Nove bancos para assento dos fiéis.
  7. Seia bancos de madeira com assento de palhinha.
  8. Uma cadeira paroquial e outra de couro.
  9. Seis cadeiras com assento de palhinha.
  10. Uma estante de pau com pé.
  11. Quatro tocheiras de pau prateadas.
  12. Quatro tocheiras de pau de fóra.
  13. Dois tocheiros pintados para círios, triângulo e serpentina.
  14. Um vaso de chumbo  com as ambulas dos Santos Óleos.
  15. Um ferro para fazer hóstias e tesoura para as cortar.
  16. Cinco pedras de ara.
  17. Três missais e quatro cadernetas para missas de defuntos.
  18. Três andores.
  19. Dois esquifes para serviço de óbitos.
 

ARQUIVO

Livros religiosos

  1. Dois antifonários.
  2. Três missarum solemnia.
  3. Um gradual.
  4. Dois psaltérios.
  5. Dois breviários grandes.
  6. Quatro artes de cantochão.
  7. Nove ofícios de defuntos.
  8. Quatro directórios fúnebres.
 

Livros para serviço da Junta

  1. Três livros de actas, dois de conta-corrente, um de foros, um de juros, um de correspondência, um de cópia de orçamento e um de inventário.
 

CAPELA DE S. SEBASTIÃO

  1. Três Imagens de S. Sebastião, Santa Bárbara e Santo Amaro.
  2. Um cálice de prata.
  3. Uma casula encarnada e seus pertences.
  4. Uma bolsa de corporais e véu.
  5. Uma toalha de altar.
  6. Um amito, alva e cordão.
  7. Dois missais.
  8. Cortinados de damasco.
  9. Um jogo de sacras.
  10. Dois resplendores de prata pertencentes a São Sebastião e Santa Bárbara.
 

      Nota: Todos estes objectos estão a cargo e sobre responsabilidade do Juiz da Capela, António Marques Ferreira e estão em mau estado de conservação. 

      E não havendo mais que inventariar a Comissão Paroquial deu por findos os seus trabalhos. Para constar se lavrou o presente auto de inventário que vai ser assinado pelo Pároco e membros da Comissão Paroquial, ordenando o Presidente se extraísse uma cópia do presente inventário para ser enviado ao Exmº Administrador do Concelho. E eu, Henrique Matias, Secretário, o subscrevi.

O Pároco: António Joaquim da Silva Martins

O Presidente da Comissão: Joaquim Moreira Neto

O Secretário: Henrique Matias

O Vogal: Miguel Alves Reis

O Vogal: Manuel Navalho 

Relação dos títulos dos bens pertencentes à extinta Confraria de S. João Baptista, desta freguesia, que segundo um acórdão do Conselho de Distrito em sessão de 30 de Abril de 1857, se mandaram entregar à Junta de Paróquia da mesma freguesia. 

3 000 réis impostos numa propriedade chamada das Nogueiras à Ribaira Abaixo, de que é enfiteuta António Duarte Pires, desta vila  e vai a competente escritura,  outra antiga, da pública forma da compra feita pelo dito foreiro. 

2 000 réis impostos na horta da Ponte do Chafariz de que é actual enfiteuta o Sr. José Maria da Silva Ferreira. Vai a escritura feita ao Sr. João Nogueira Mação e uma cópia de escritura requerida pelo Reitor. 

1 500 réis impostos em parte de uma propriedade à Eira de João Afonso de que é actual enfiteuta Emídio António Mora, desta vila. Vai-se tratar da escritura feita a Maria Angélica, desta Vila. 

300 réis impostos em uma vinha ao Vale de Colheres, na Cabeça das Mós, de que é  actual enfiteuta Manuel Alves Júlio da Cabeça das Mós. Vai escritura feita a Pedro Alves da Silva e outra feita a Manuel Dias Moleirinho, da dita aldeia; é actual enfiteuta Sebastião Alves dos Santos da dita aldeia. Herdeiros de Manuel Dias Moleirinho, da Cabeça das Mós, pagam 300 réis, o que consta de uma escritura que julgo ser o que paga Manuel Alves Júlio. 

2 50 réis impostos em uma vinha a S. Bartolomeu, de que é actual enfiteuta João Lopes Simples de Valhascos. Vai a escritura feita a José Lopes da dita aldeia e outra de compra por Manuel Lopes. 

200 réis impostos em uma vinha ao Ribeiro Travesso, de que é actual enfiteuta Ventura Pimenta da Cabeça das Mós. Vai a escritura feita a Silvestre Dias. 

      Sardoal, 16 de Maio de 1857 

O Escrivão da Câmara

Inácio Maria Xavier de Oliveira 

INVENTÁRIO DOS OBJECTOS QUE O TESOUREIRO MANUEL MIGUEL, DOS ANDREUS DECLAROU PERTENCEREM  À CONFRARIA DE SÃO GUILHERME, ERECTA NA FREGUESIA DE SÃO TIAGO E SÃO MATEUS QUE EM VIRTUDE DE UM ALVARÁ DO EXMº GOVERNADOR CIVIL DESTE DISTRITO, PASSAM PARA A JUNTA DE PARÓQUIA DA DITA FREGUESIA, POR SE ACHAR EXTINTA A MESMA CONFRARIA: 

Três vestimentas: uma de cor barnca, outra encarnada e outra roxa;

Um cálice de prata;

Duas alvas;

Dois cordões;

Um frontal de damasco para o Missal;

Três toalhas do altar;

Uma sobrepeliz;

Dois amitos;

Cinco manisteres;

Duas toalhas de mãos;

Nove sanguinos;

Um frontal do púlpito;

Uma capa de asperges;

Uma umbela;

Duas bolsas para corporais e competentes corporais;

Quatro véus de seda para o cálice;

Três sacras;

Oito castiçais: quatro de pau, dois de estanho e dois de metal;

Uma lâmpada de metal amarelo;

Duas lanternas de lata;

Dois pares de galhetas;

Dois Missais;

Um ritual;

Uma Cruz;

Três opas brancas;

Uma coberta de xita para cobrir o Altar;

Uma escritura de foro de 1500 réis;

Uma outra de 1600 réis;

Mais um foro de 320 réis que paga Manuel de Oliveira, da Presa, de que não apresentou a escritura;

Duas campainhas. 

      Administração do Concelho de Sardoal, 10 de Outubro de 1864 

O Administrador do Concelho

Emídio António Mora 

RELAÇÃO DOS PRÉDIOS E TERRENOS QUE A JUNTA DE PARÓQUIA DA FREGUESIA DE SARDOAL JULGA INDISPENSÁVEIS PARA  O DESEMPENHO DAS SUAS FUNÇÕES E PARA A CONSERVAÇÃO DO CULTO DIVINO: 

A Igreja Matriz com o adro pegado e cemitério próximo à mesma;

A Capela de Santa Catarina, sita nesta Vla;

A Capela do Divino Espírito Santo, sita nesta Vila;

A Capela de S. Sebastião próximo a esta Vila, com um pequeno adro;

A Capela de S.Simão de Alferrarede, sita na mesma aldeia, com um pequeno cemitério;

A Capela de S. Tiago de Montalegre, com adro e cemitério próximos à mesma;

A Capela de S. Guilherme, sita na aldeia dos Andreus, com um cemitério próximo;

A Capela de Santo António de Entrevinhas, sita na mesma aldeia, com o adro próximo;

A Capela do Senhor Jesus da Boa Morte, na aldeia da Cabeça das Mós, com o adro próximo;

A Capela de Nossa Senhora da Graça, próxima à aldeia de Valhascos;

Todos pertencentes a esta Freguesia de São Tiago e São Mateus da Vila do Sardoal. 

Sardoal, 2 de Julho de 1868

O Presidente da Junta de Paróquia

Joaquim Manuel da Fonseca Moraes 

Carta sobre a Capela de Nossa Senhora da Graça, dirigida pela Junta de Paróquia da Freguesia de Sardoal, ao Administrador do Concelho de Sardoal, em 3 de Fevereiro de 1906:

Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor: A Junta de Paróquia desta freguesia de Sardoal, em sessão de hoje, apreciando o ofício de V.Exª sob o nº  8, de 19 de Janeiro último, informa a V.Exª do seguinte: Em 14 de Junho de 1665 faz o Vigário do Sardoal, Luís Borges de Sequeira, entrega por inventário, dos objectos pertencentes à Capela de Nossa Senhora da Graça a Frei Manuel do Espírito Santo.

      Em 20 de Dezembro de 1692 é o Vigário do Sardoal mantido por sentença dada em Abrantes, na posse do seu antigo direito de inspecção e nomeação de Ermitão zelador da referida Capela, direito que o licenciado Manuel Rodrigues Nobre, daquela aldeia, o queria esbulhar. Apelou o dito Nobre da sentença que o condenou e falecendo, os seus herdeiros desistiram da apelação, por termo no processo em 6 de Agosto de 1693, pagando as custas, sendo o processo mandado arquivar por sentença de 15 de Março de 1694.

      Em 29 de Junho de 1856 o Vigário Joaquim Manuel da Fonseca Moraes entregou por inventário, as imagens, alfaias e outros objectos pertencentes à Capela de Nossa Senhora da Graça, ao Ermitão José Veríssimo por ele nomeado. (Cópia junta sob o nº I).

      Em 2 de Novembro de 1864 faz a Junta de Paróquia desta freguesia o inventário dos objectos pertencentes à extinta Confraria de Nossa Senhora da Graça, nomeando zelador dos mesmos objectos, Afonso Esteves, da aldeia dos Valhascos, que aceitou o encargo, obrigando-se a entregá-los logo que lhe fossem exigidos; encargo que passou em 11 de Janeiro para Manuel Alves Ferreira, José Dias Raposeiro e Carlos da Silva, nomeados pela Junta. (Cópia junta sob o nº II).

      Modernamente, esta Junta pode informar a V.Exª, que foi a primeira ouvida na construção da nova capela e sem o que, ela não teria sido construída. Requereu depois ao Governo um subsídio de 200$000 réis que empregou na dita capela. Nem era preciso fazer questão de uma coisa tão simples, que não oferece dois modos de resolução, pois é a Junta, que como pessoa moral representa o povo neste ramo de administração pública e paroquial.

      Nunca o povo se representou a si mesmo, e se vamos admitir que cada particular tem o direito de ser depositário dos paramentos, alfaias, etc, pertencentes às diversas capelas da freguesia, teríamos tudo em casa dos particulares, e segundo o capricho de cada um (como no caso presente) e as capelas ficariam desprovidas do que a piedade dos fiéis lhe deu.

      Ao pároco da freguesia já aconteceu querer celebrar missa em S. Bartolomeu, e um caprichoso zelador negar-lhe os paramentos, por motivo a que o pároco era alheio. A Junta no uso do direito que lhe assiste e no cumprimento de um dever que a lei lhe impõe julgou obrigação sua colocar as coisas onde de justiça devem estar, e não satisfazer ambições particulares.

      Pelo exposto e por um ofício de Sua Exª Revª o Prelado desta Diocese com data de 23 de Janeiro último, que junto por cópia, parece a esta Junta não haver exorbitado das suas atribuições e pede providências a V.Exª para que a lei se cumpra e não se desrespeite uma corporação que, por mais de uma vez, se sacrificou em benefício do povo dos Valhascos, animada só do desejo de cumprir a sua missão e garantir direitos àqueles que ela representa, e que alguém pretende iludir em benefício próprio.

      É quanto a Junta da minha presidência pareceu conveniente informar sobre a matéria do ofício de V. Exª.

      Deus guarde a V.Exª. 

      O Presidente da Junta: António Joaquim da Silva Martins. 
 

AGRADECIMENTOS 

13 de Julho de 1904

Exmº  e Revº Senhor

João Henrique Sequeira Mora 

         A Junta de Paróquia da freguesia de S.Tiago e S. Mateus do Sardoal, em sessão de hoje, tomando na devida consideração a valiosa oferta de V.Exª. e boa vontade com que trabalhou na aquisição de um espelho de grande dimensão para a Sacristia da Igreja Matriz - espelho que se dignou oferecer-lhe, vem por este meio patentear o seu profundo reconhecimento.

         Deus guarde V.Exª, et. 

20 de Março de 1906

Exmº  Senhor

Francisco Afonso Bernardes

Sardoal 

   Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor

   Com muita satisfação comunico a V.Exª. que a Junta de Paróquia desta freguesia, em sua sessão de 15 do corrente, deliberou oficiar a V.Exª. agradecendo, muito reconhecida, a oferta de um cibório de prata lavrada para serviço do Sacrário da Matriz, oferta que significa amor e gratidão de V.Exª ao Santíssimo Sacramento.

   Deus Guarde a V.Exª

   O Presidente da Junta: António Joaquim da Silva Martins 

28 de Dezembro de 1906

Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor

Francisco Afonso Bernardes - Sardoal 

   Em sessão desta Junta de Paróquia de 15 do corrente foram presentes pelo seu Presidente, os melhoramentos feitos por V.Exª a bem da Religião e da Matriz desta freguesia.

   É muito do agrado desta corporação significar por este meio a V.Exª os seus respeitos e agradecimentos sinceros pela oferta de um manto de seda, bordado a ouro, para Nossa Senhora da Conceição, na importância de 98 785 réis; e encarnação da imagem de Nossa Senhora da Conceição, na importância de 10 500 réis.

   Deus guarde V.Exª.

O Presidente: António Joaquim da Silva Martins

O Vogal: Virgílio Bernardo

O Vogal: António Cascalheira

O Vogal: José  Maria de Sousa 

1 de Agosto de 1907

Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor

Francisco Afonso Bernardes - Sardoal 

   Tenho o prazer de comunicar a V.exª que a Junta de Paróquia desta freguesia, em sessão de 15 de Julho tomou conhecimento da valiosa oferta que V.Exª. se dignou fazer à Igreja Paroquial constante de um berço de prata lavrada com o peso de um quilograma e na importância de 85 250 réis destinada às festas do Natal.

   Por este meio, e interpretando o sentir dos membros da Junta, manifesto a V.Exª. os nossos sinceros agradecimentos.

   Deus guarde a V.Exª.

O Presidente da Junta: António Joaquim da Silva Martins 
 
 

EDITAL 

A JUNTA DE PARÓQUIA DE SARDOAL 

   Faz público que no dia um de Fevereiro do próximo ano de 1910 na sala das sessões da mesma Junta se arrematará a quem maior lanço oferecer, a Capela de São Miguel de Alferrarede e terreno circundante, no limite de São Simão, sendo a base de licitação de trinta mil réis.

   E para constar se passou o presente e idênticos que vão ser afixados nos lugares públicos do costume.

   Sardoal, 30 de Dezembro de 1909 

O Presidente da Junta

António Joaquim da Silva Martins 

REGULAMENTO DO TOQUE DOS SINOS 

25 de Janeiro de 1912

Exmº  Senhor

Administrador do Concelho de Sardoal 

   O modo correcto como V.Exª se dignou responder ao meu ofício de 24 do corrente é merecedor de protestos de gratidão. Facto e outros de igual quilate muito contribuem para o engrandecimento da gloriosa causa da República. A benevolência dos agentes no desempenho das leis vigentes, concorre para o progresso do actual regime e aumenta o número de verdadeiros adeptos.

   Com o firme propósito de cumprir rigorosamente os deveres que a minha missão me impõe sem dar origem a atritos tanto com paroquianos como com as autoridades, formulei o Regulamento de toque de sinos de acordo com os vogais da Junta da minha presidência e em harmonia com a antiga praxe baseada na autorização de V.Exª, cujo regulamento patenteio à vossa apreciação. 

   Nascer do sol: nove badaladas

   Às doze horas: nove badaladas

   Ocaso do sol: nove badaladas

   Nos dias santificados deverá repicar a todas as ocasiões da missa como é da praxe nestas solenidades.

   Igualmente na véspera dos dias santificados no ocaso do sol.

   A saída do Viático será anunciada por cinco badaladas, repetidas três vezes para a chamada de irmãos e repicará os sinos durante o trajecto da Igreja à casa do enfermo e vice-versa.

   Casamentos: da vila - tocarão os sinos até  o cortejo chegar à residência dos noivos. De fora da vila - tocarão pouco mais ou menos até à saída desta localidade.

   Baptizados: da vila e fora, proceder-se-á  com o determinado para os casamentos.

   Enterros: toque anunciando o falecimento, que não poderá  exceder a cinco minutos e igual toque de sinos ao sair de casa o cadáver para o cemitério.

   Durante o tempo estipulado no concelho para a sesta dos operários agrícolas e de outra categoria tocará anunciando o começo do trabalho todos os dias às catorze e meia horas, regulando o tempo para essa operação cinco minutos, pouco mais ou menos.

   Quando qualquer cidadão declare que o som dos sinos o incomoda, que só  poderá admitir-se em estado morbus e provando com documento médico, será regularizado o toque com a exigência do facto.

   Tocarão em todos os dias de gala nacional, quando as autoridades administrativas oficiem para esse fim à Junta de Paróquia. 

Saúde e Fraternidade 

O Presidente

António Maldonado de Freitas

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