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14. Notícias de há 100 anos (IV)


JORNAL DE ABRANTES

22 de Maio de 1910

Doente


Tem passado bastante incomodada de saúde, a Exmª Sr.ª D.Rita de Morais, irmã do saudoso extinto e orador sagrado Sr. Padre António Silva Morais.

Tem sido seu médico assistente o nosso amigo Sr Dr. José Gonçalves Caroço.

Fazemos votos pelas suas melhoras.




5 de Junho de 1910

Correspondência do Sardoal


No “Portugal” de ontem, n.º 1020, vimos em correspondência desta vila, inserta uma local, que não podemos deixar reparo. Entendemos que a missão do correspondente é bem informar, mas para isso torna-se necessário ser muito escrupuloso e leal.

Ora o correspondente do “Portugal”, ou foi pessimamente informado ou procedeu de má fé, e neste caso, não sabemos ou não queremos classificá-lo. É absolutamente inexacto que o Reitor Irmandade se dirigisse, como alega, por ofício, ou qualquer outra forma ao presidente da câmara, para este comparecer e mais vereadores na procissão do Corpo de Deus, quinta-feira última.

Apenas o escriturário, e por acaso e como coisa sua, perguntou na antevéspera à noite se a câmara se fazia representar!

Esta é que é a verdade, verdade sem contestação. Foi pois pouco digno o procedimento do correspondente do “Portugal”, quando sem razão passou diploma de “incorrecto e tolo”, a quem devia merecer-lhe mais respeito.

Se incorrecção houve foi da sua parte com vão critério: bom será que daqui por diante informe com mais cautela para evitar confusões e liberdades pouco aceitáveis.



JORNAL DE ABRANTES

12 de Junho de 1910

Homenagem à verdade


Diremos pouco para não perdermos tempo e cansar a paciência, mas o bastante para repor as coisas no seu lugar e vingar a verdade.

Um senhor X do Sardoal veio desmentir aqui, neste jornal, as informações dadas ao “Portugal”, pelo seu correspondente nesta vila, sobre o procedimento do presidente da câmara, não comparecendo como lhe competia na procissão do Corpo de Deus, e depois de ter sido convidado, e nesse sentido fazia umas insinuações malévolas ao carácter do mesmo correspondente.

As insinuações repele-as este, e as lições que o Sr. X lhe pretende dar não as aceita também porque delas não precisa para coisa alguma, fiquemos pois entendidos.

Mas vamos ao que importa. A informação do “Portugal”, é a pura expressão da verdade e o sr. X sabe muito bem que assim é. O convite não foi feito por ofício, porque o sr. presidente da câmara já por outras vezes o disse que não eram necessários essas formalidades, mas recebeu verbalmente por intermédio do escriturário da Irmandade, como o próprio x não pode negar. Vir agora alegar que esse convite foi feito por acaso e como coisa sua, é simplesmente querer fugir às responsabilidades da sua acção.

O Sr. X entende que aquele senhor escriturário fazia convites por acaso e como coisa sua, mas não entendeu assim quando o mesmo escriturário falou à Filarmónica, do que o Sr. X é presidente, para se incorporar na procissão.

Então como lhe convinha, já não era por acaso, e só agora é que tal se lembrou. Temos compreendido Sr. X...

Pelo o que respeita ao Sr. Presidente da câmara, dá-se um fenómeno idêntico e curioso como vêem. O convite era feito “por acaso” e como coisa do escriturário, mas S.Sª respondeu como ele fosse feito em nome da mesa, dizendo o seguinte: Se não são capazes de cumprir o seu dever não estejam lá!

Boa lógica a destes senhores não há dúvida. O que tem graça, porém, é que o Sr.X acha que a resposta do Sr. Camarista presidente e tudo quanto há mais de tendencioso, delicado, correcto, urbano e polido, visto que acho pouco digno de tê-la classificado de incorrecta e tola, ora bolas!... Caro Sr. X para sua teoria moderna de civilidade e bom tom.

Terminaremos como o Sr. X. bom será que por diante desminta com mais cautela para evitar confusões e liberdades pouco aceitáveis...

E ponto final nestas mesquinhices.



Festas no Andreus


No próximo dia 29 realiza-se nesta pitoresca aldeia, a tradicional festa da senhora da Saúde e de S. Guilherme.

Haverá procissão, música pelas duas filarmónicas do Sardoal, fogo de artifício fornecido pelo hábil pirotécnico das Mouriscas Francisco Amante, gaita-de-foles, arraial, etc.

Pelas 3 horas da manhã a lendária gaita-de-foles tocará a alvorada acompanhada do Ram-Tam-Plam encruzando as vaquetas, o nosso hábil perneta da circunvizinha aldeia do Carvalhal.

A mesa da Irmandade da Sr.ª da Saúde e S. Guilherme é composta de homens trabalhadores, que não se tem poupado a esforços, a fim de que a festa seja revestida com grandes pompas.

Temos informações que na nossa vila de Sardoal está toda na melhor vontade para coadjuvar, com a comissão, contamos e estamos esperançados em algumas Exmªs Srªs.

A.L.C.


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Cal


Manuel Lopes Simples, participa aos seus amigos e fregueses que, tendo tomado de arrendamento os fornos de coser cal, pertencentes ao Sr. Manuel Lopes Ignez Júnior, da Barca do Pego, continua a vender de 1ª qualidade e em óptimas condições.

Dirigir ao mesmo Correio de Sardoal, Valhascos.


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José Lourenço Galinha, pirotécnico dos Valhascos, faz saber a todos que tenham de gastar qualquer porção de fogo de artificio e de talos se dignem de o avisar com tempo, dizendo-lhe se o fogo é para queimar no ar, no chão ou na água, a fim de poder estudar bem as peças.

Aquele que não tenha conhecimento da obra do seu fabrico, poderá mandar fazer igual porção noutra qualquer parte, pagando depois o merecimento de cada um o que merecer.

A direcção é, Sardoal, Valhascos, José Lourenço Galinha.

19 de Junho de 1910



Correspondências – Sardoal


Pedem-nos a publicação das seguintes cartas


Sr. Director


Para evitar estar constantemente maçando-o, peço-lhes a fineza de fazer publicar no seu conceituado jornal, esta (se assim o entender) e as duas cartas juntas, para se apurar a forma como S.S. Rev. O Sr. V. presta “homenagem” à verdade e ficando-lhe muito grato, subscrevo-me de V.Ex.ª

Sardoal, 15 de junho de 1910

  1. António Dias Conde


Exmº Sr. Manuel Milho


Ilut. Escriturário da Irmandade do Santíssimo desta vilas

Amigo e Sr.

Ilut. Sr. Manuel Milho Ilust. Escriturário da Irmandade do Santíssimo

Amigo e Sr.

Tendo eu desmentido no Jornal de Abrantes, n.º 524, uma informação feita no “Portugal” em correspondência desta vila, e tendo o mesmo correspondente como se depreende, vindo no mesmo jornal de Abrantes, novamente desvirtuar os factos, o que bastante me surpreendeu, visto a razão que me assistia, recorro ao meu amigo pedindo-lhe o subido valor de se manifestar por ver escrito sobre o seguinte:

Quando se dirigiu ao sr. presidente da câmara, com referencia à procissão do Corpo de Deus; foi por indicação de alguns membros da mesa da Irmandade do Santíssimo, ou foi como coisa sua?

Agradecendo a sua resposta, creia-me seu amigo muito grato e obrigado.

  1. António Dias Conde

Sardoal, 14 de Junho de 1910

Ilust. e Exmº sr.


Respondendo à sua carta de 14 do corrente, cumpre-me dizer unicamente, que como coisa minha me dirigi ao sr. presidente da Câmara, para esta se incorporar na procissão do Corpo de Deus.

Sardoal, 14 de Junho de 1910

De V.Excª, At. e Obrigado

Manuel Alves Milho

Com esta publicação, damos por encerrado o caso, pois temos outras coisas com que ocupar o espaço do jornal. Entenda-se.


26 de Junho de 1910

Correspondência do Sardoal


Muitas vezes nos interrogamos sobre as razões dessas lutas de soalheiro que para aí há e tão prejudicial são aos interesses deste concelho.

Em localidade como o Sardoal, convém aliar esforços, congregar vontades.

E só assim podemos ver o Sardoal elevada à sua verdadeira altura.

Não temos comércio, nem indústria. Não realizamos uma festa anual característica, fora do banal, que atraía forasteiros, que nos dê nome.

Não existe aqui uma associação de socorros mútuos, nem sequer uma Biblioteca.

Entretanto, existem indisposições, prejuízos, incompatibilidades. Não vá supor-se lá fora, que não temos elementos de trabalho. Temos e de primeira ordem. Aí está o Sr. Máximo Martins Salgueiro, um grande amigo da sua terra, aí temos o Sr. Abílio Matos Silva, um entusiasta por tudo que seja progredir.

Outras pessoas e de valor contém o Sardoal. Temos chegado a recear que o Sr.Máximo Salgueiro empreendedor como é, vá para outro meio colher os resultados do seu temperamento enérgico, da sua prestante iniciativa. Pois o que folgaríamos ver seria o irmanarem-se quantos querem progredir.

Forme-se um só partido local, que saiba e queira trabalhar para o bem-estar desta vila. O que se despende em festas, destinamo-lo à instituição de uma sociedade de socorros e de crédito. E dizendo sociedade de crédito, não vejam neste desejo a criação de uma casa bancária, mas uma modesta caixa económica, que bem podia ser uma sucursal do montepio Abrantino. Para que tal se faça, urge organizar a “liga de interesses do Sardoal” que pode ser modelada pela a Barcarena.

Aí fica o alvitre, que oferecemos aos bons sardoalenses.

IPSLON

JORNAL DE ABRANTES

26 de Junho de 1910


Tem estado em exposição na montra da farmácia Passarinho, um gasómetro de pressão, para uso da mesma farmácia, feito pelo hábil artista Sr. Joaquim Pedro Lopes.

O seu conjunto, dá-nos logo uma impressão agradável e o seu funcionamento nada deixa a desejar, podendo rivalizar, com os que fazem as mais acreditadas oficinas do país.


Acabamos também de ver, feito pelo mesmo artista, um regulador de pressão que é uma perfeição inexcedível.

Pena é que artistas como este, vivam num meio, onde não abundam as boas oficinas para melhor se poderem desenvolver, porque então a sua iniciativa seria maior e mais profícua.

Ao consciencioso e modesto artista as nossas felicitações pela sua obra .


A noite de S. João foi aqui muito festejada, havendo abundância de fogueiras, com bichas de rabiar e bombas à mistura.

À autoridade administrativa lembramos a conveniência de na noite de S. Pedro, mandar policiar a vila, para evitar que certos sujeitos ponham em prática vandalismos impróprios de terra civilizada, como sucedeu nesta noite.

25 de Junho de 1910

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