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7. Vida Cultural (I)

JORNAL DE ABRANTES

 

Domingo, 12 de Maio de 1901

 

Festival de Caridade no Sardoal

 

Por iniciativa dos nossos amigos Dr. João Felicíssimo, Dr. Júlio Victória, Dr. Anacleto Matos Silva , José Alexandre e Jayme Peixoto Ferreira, realizou-se no dia 4, na bonita vila do Sardoal um modesto e simpático festival em benefício da Santa Casa da Misericórdia

A primeira parte do programa dessa encantadora festa consistiu no seguinte:

Marcha Característico, por um sexteto de bandolins e violas composto da Exmª Sr.ª D. Judite Leal e dos Srs. Dr. Matos e Silva, Francisco Dionísio, João Pereira de Matos, Abílio Silva e José Milheiriço.

Poesia “A Lua”” pela Exmª Sr.ª D. Maria das Dores Ferro.

Ouverture em piano pelas Emas Srªs D.Elisa e Natividade Matos Silva.

Monólogo- Pelo Sr. Dr. Abílio Matos Silva.

Ricordo di Torino – valsa- pelas Srªs D. Judite Leal, D. Elisa Matos Silva e Francisco Dionísio.

Esta composição foi desempenhada em piano e bandolins.

Guitarra, pelo Sr. Ivo Josué.

Poesia – pelo Sr. Júlio Salgado . Seul, pelo sexteto.

Segunda Parte

Valsa pelo sexteto-monólogo  “O Assobio” – pelo Dr. Matos Silva

Valsa em piano, pela Sr.ª D. Elisa Matos Silva

Poesia pela Sr.ª D. Elisa Matos Silva

Musica excêntrica, soberbo entreacto, engraçadíssimo, (dueto).

Poesia “A Saudade” pela Sra. D. Maria dores Ferro.

A morte galante, pelo Sr. Sebastião Araújo.

Guitarra, pelo Sr. Ivo Josué.

“A Lágrima, de Guerra Junqueiro, pelo Sr. Araújo.

Retracte, Marcha pelo sexteto.

Perante tão selecto programa, ninguém, absolutamente ninguém, retirou descontente. Reveja-se Abrantes neste brilhante Sarau efectuado com elementos da localidade, excepção feita de dois cavalheiros, e digam-nos com franqueza se temos ou não razões para combater essa falta, convívio social que para aí se medra.

Distintíssimas senhoras, pianistas e bandolinistas, exímios cavalheiros devotados ao bem, proporcionaram a um auditório ilustrado uma noite agradabilíssima, ao mesmo tempo que contribuíram para enxugar as lágrimas a tantos desgraçados que a miséria obriga a pedir à Santa Casa aquilo de que carecem: O socorro na doença.

Foi deveras brilhante a execução dos números do programa, por isso mesmo a assembleia vitoriou com delírio os executantes.

Muitas pessoas de Abrantes ali foram: Os Srs. Luiz Mena, Eduardo Melo, José Soares Córado, Manuel de Moura, João Alves da Silva, Sebastião Araújo, Egídio Salgueiro, António Frazão, Alfredo Themudo, etc.

Findo o sarau, o nosso amigo Jayme Peixoto (Candal) teve a delicadeza de oferecer aos promotores do festival um mimoso lanche, que prendeu durante 3 horas em amável palestra, quantos acederam ao convite do nosso bom amigo, os quais retiram altamente penhorados perante tamanha amabilidade. Os nossos parabéns à ilustríssima comissão do festival pelo bom êxito deste.

 

JORNAL DE ABRANTES

10 de Fevereiro de 1907

Teatro Sardoalense

 

Alguns artistas da Companhia Lisbonense, projectam ir dar um espectáculo em terça-feira de Entrudo no Teatro Sardoalense, levando à cena, “O AGIOTA”, comédia em 3 actos, pelos actores Reijana, Herculano Monteiro, Carlos Ferreira, Carlos Silva, Rosa Monteiro, Albina Napier...

Preços e horas do costume.

Dirige o maestro Abílio Napier.

 

JORNAL DE ABRANTES

7 de Abril de 1907

Sardoal

Teatro e Festa

 

Realizou-se no passado domingo a récita por amadores desta vila, tendo todos desempenhado admiravelmente, podendo afoitamente dizer-se, que foi esta uma das melhores récitas que ultimamente aqui se têm levado à cena.

Constou o espectáculo do bem conhecido drama “O Veterano da Liberdade”, e da engraçada comédia “Um Julgamento no Samouco”.

No drama, os papéis foram confiados: o veterano a Matos e Silva, que teve um desempenho à altura, o padre a Emídio Mora, papel muito bem distribuído e desempenhado, tendo fechado com chave de ouro a última cena, pois ninguém deixa ao ver este desempenho que estava ali um simples amador!...

O galã era feito por José Leal cujo desempenho foi muito bem feito, tendo uma cena também soberba!...

O de sacristão era feito por Luís António, deu gargalhada geral e não podiam ter encontrado sacristão que tão bem soubesse aproveitar os pingos de tocha para lhe dar realce que realmente o papel exigia.

O da filha do veterano foi muito bem interpretado por Laura Santos, que teve duas cenas especialmente aplaudidas.

Enfim, há muito que não assistimos a um desempenho tão bom e em que os figurantes estivessem tão bem compenetrados dos seus papéis: Todos eles tiveram chamadas e contínuos chuveiros de palmas.

A caracterização estava admirável, deve-se isso aos Srs. Matos Silva e Dionísio. Oxalá que repitam récitas como estas que deixam sempre uma viva impressão aos espectadores. Consta que esta récita se repetirá visto ter agradado tanto. Da comédia nos ocuparemos por outra vez. Daqui endossamos as nossas cordiais felicitações ao director Sr. Abílio Matos Silva.

 

Domingo, 13 de Março de 1910

Correspondências de Sardoal

Teve lugar na pretérita terça-feira a reunião de grande número de sócios da sociedade que tem por título “Clube Recreativo Sardoalense” para o efeito de se proceder à discussão e aprovação dos estatutos e regulamento interno e bem assim à eleição dos corpos gerentes, que ficaram assim constituídos:

 

Assembleia Geral

Dr. José Gonçalves Caroço

António Carvalho Tramela

Manuel Lopes

 

Conselho Fiscal

João B. Saldanha da Fonseca Serra

Padre Joaquim Tomaz

António Dias Conde

 

Direcção

Júlio Ferreira de Matos

Abílio da Fonseca Matos Silva

Pedro Barneto Nogueira

João Pereira de Matos

Jayme Leal

 

Terminado o acto eleitoral o Sr .Saldanha brindou os dignos iniciadores e a direcção eleita.

Por hoje basta, até para a semana.

Maio de 1910

Zaguncho Júnior

 

 

JORNAL DE ABRANTES

24 de Julho de 1910

Correspondências - Sardoal

Sociedade de Artistas

 

Tem apenas seis meses de existência, e já tem grande número de sócios, entre os quais se encontram os principais artistas desta vila, que compenetra que a Associação lhes é útil e necessária, trabalham com afinco e persistência, congregando esforços e unindo vontades, no intuito de formarem um núcleo associativo que se impunha ao respeito e consideração de todos.

Para avaliar o trabalho insano dos seus organizadores, basta dizer que ela vive e progride num meio, em que o movimento associativo era desconhecido e um certo desdém da parte de muitos que a podem auxiliar, tanto moral como materialmente, porque poucos eram os que acreditavam no seu triunfo.

Hoje, porém, que a sua organização é um facto consumado, e que todos lhe reconhecem condições de vida, forçoso é redobrar de energia, sem esmorecimentos nem desfalecimentos de espécie alguma porque lutar é viver e quanto mais enérgica é a luta,  mais retumbante é o triunfo.

Está provado, que é por meio da associação que o operário pode reclamar o maior número de direitos e regalias a que quem jus, senão vejamos os conflitos que amiudadas vezes se estão dando entre patrões e operários, em que o triunfo é sempre destes quando tem a sua força bem organizada e disciplinada. Da actual direcção tudo há a esperar, porque ela é composta por indivíduos que não perderão um passo sequer, que possa influir na conquista dos direitos e regalias que o operário luta.

No último domingo realizou-se na sede da Associação um baile que decorreu bastante animado.

Consta-nos que pensam realizar no próximo mês de Setembro um festival.

Oxalá que não esmoreçam e que todos os projectos se convertam em realidade

 

14 de Agosto de 1910

Correspondência - Sardoal

 

Na passada semana reuniu em sessão plena a sociedade dos artistas desta vila, a fim de assentar na maneira de levar a efeito a festa que fizemos eco na nossa última correspondência.

Depois de breve discussão, foi nomeada uma comissão composta pelos Srs. António Dias Conde, José Paulino de Oliveira, José Maria de Sousa, Henrique Matias, Miguel Alves Rei e Rafael Alves Passarinho, de pôr em prática esse projecto.

A comissão já iniciou os seus trabalhos, marcando o dia 28 de Setembro para a indicação da festa e quermesse, estando animados da melhor vontade em fazerem uma festa embora modesta, no entanto atraente e que ao mesmo tempo seja uma fonte de receita para a sociedade porque assim contribuirá para a instrução e educação da classe operária.

Oxalá que os seus esforços sejam coroados de êxito.

 

18 de Setembro de 1910

Correspondências - Sardoal

 

Em virtude dos compromissos que as duas filarmónicas desta vila têm para o dia 25, terá de ser transferido para o dia 2 de Outubro, a festa e quermesse que se há-de realizar em benefício da Sociedade dos Artistas.

A comissão conta com o auxílio gratuito das duas filarmónicas da terra, que imediatamente se prontificaram a abrilhantar a festa sem a mínima recompensa.

Antes destas, é preciso que se tornem conhecidos para honra e glória daqueles que o praticam.

A afluência de prendas tem sido grande, o que faz antever que alguma coisa se conseguirá em benefício do operário sardoalense.

 

Sociedade dos Artistas Sardoalenses

 

A comissão promotora da festa e quermesse em benefício da mesma sociedade, participa a todas as pessoas a quem dirigiu circulares, que por motivo de transferência da dita festa para o dia 2 de Outubro, as prendas podem ser entregues até ao dia 25 do corrente, a qualquer dos membros da comissão, ou na farmácia Neto de Abrantes.

 

 

25 de Setembro de 1910

Festa Artística

 

Reina grande entusiasmo pela festa que se há-de realizar no próximo domingo 2 de Outubro, o programa da festa é o seguinte:

De manhã percorrerão as ruas da vila as duas filarmónicas tocando o hino operário. À uma hora da tarde abertura da quermesse.

Às duas horas corrida de bicicletas em velocidade, negativa, seguida de corrida de burros, sacos e três pernas, arraial etc.

À noite quermesse, arraial e fogo de artifício, feito pelos dois pirotécnicos de Valhascos.

Para a corrida de bicicletas estão inscritos todos os ciclistas da vila.

È esta prova que está despertando mais entusiasmo por nunca aqui se ter realizado. Os corredores já se treinam com afinco e persistência.

A cada corredor que fizer o percurso no espaço de tempo marcado pelo júri será dado um prémio.

O percurso para a prova de velocidade, é de 10 quilómetros.

 

 

JORNAL DE ABRANTES

2 de Outubro de 1910

Correspondência - Sardoal

 

Promete estar muito animada a festa que aqui se realiza hoje. As ruas e a praça estão lindamente ornamentadas.

O grupo de ciclistas desta vila continua a treinar e cada vez com mais entusiasmo. Das hortas virá também um grupo de ciclistas disputar a prova desportiva, o que virá dar maior realce à festa, por se saber que eles são corredores eméritos e experimentados.


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