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A respeito do Respeito

Publicado a 14/12/2009, 11:44 por Luís Gonçalves

Pode parecer, para muitos, uma palavra do passado mas, para mim, a palavra respeito mantém uma perfeita actualidade e deve ser considerada como um conceito fundamental para a vida em sociedade.

Respeito é o apreço por, ou o sentido do valor e excelência de, uma pessoa, qualidade pessoal, talento, ou a manifestação de uma qualidade pessoal ou talento. Em certos aspectos, o respeito manifesta-se como um tipo de ética ou princípio, tal como no conceito habitualmente ensinado de "ter respeito pelos outros" ou a Ética da reciprocidade.

Por sua vez, respeito mútuo é o dever e obrigação que se impõem à conduta de todas as pessoas no convívio familiar, nas relações de trabalho e nos vínculos religiosos e no convívio escolar, somente assim é que se torna possível a vida em sociedade, por isso, foi este um dos primeiros princípios adoptados pelos sofistas cujo princípio maior era o homem, "a medida de todas as coisas", segundo Protágoras, o sujeito, capaz de conhecer, projectar e construir.

No Dicionário Houaiss a palavra respeito vem definida como o sentimento que leva alguém a tratar outrem ou alguma coisa com grande atenção, profunda deferência, consideração, reverência (…) estima ou consideração que se demonstra por alguém ou algo.

A sociedade pós – moderna conhece a liberdade pessoal, a sinceridade, a aceitação da diferença, o humor e a diversão, mas não tem cultivado o respeito, como um dos pilares fundamentais das relações pessoais, seja no seio da família, seja na sociedade em geral.

O respeito pela opinião do outro é crucial numa sociedade evoluída. Nem tufas as opiniões, todavia, devem ter o mesmo peso. Numa família deve prevalecer a posição dos pais face à dos filhos, porque a hierarquia é fonte de eficácia no agir.

Na sociedade, devemos respeitar todos, mas valorizar aqueles que pelo seu esforço e mérito foram escolhidos para lugares de relevo. O respeito por toda gente não deve implicar a concordância com todas as opiniões, porque a aceitação da diversidade de posições é sinal de maturidade. Assim, todas as pessoas devem se respeitadas, em caso de discordância, é necessário manifestar parecer contrário, sem ferir a pessoa que discorda de nós.

 

No essencial o respeito é uma questão de educação. Mas se é verdade que não  há respeito sem educação, também é verdade que não há educação sem respeito. Respeito permanente entre pais e filhos e ou entre professores e alunos. Educar para o respeito exige que nas crianças seja fomentado, desde muito cedo, o sentimento de consideração pelo outro. É o forte vínculo entre pais e filhos que sustenta a edificação do respeito, mantido depois pela atenção permanente às situações do quotidiano, ajudam ou deviam ajudar as crianças a construir a sua consciência moral.

 

Sempre ouvi dizer que a primeira condição para se ser respeitado, é respeitar.

Isto é válido na família, na escola, no emprego ou, na sociedade em geral. Aplica-se aos comportamentos, aos actos, às palavras, etc.

Moro a poucos metros da E.B.2,3/S Dra. Maria Judite Serrão de Andrade, no Sardoal e é raro o dia em que não assisto a sessões de linguagem obscena e ordinária por parte dos alunos, seja dentro do espaço escolar, na presença de funcionários e professores, seja nas imediações da escola, enquanto esperam o autocarro, ou nos estabelecimentos comercias das proximidades, sendo que esse tipo de linguagem é comum a ambos os sexos e às diversas idades dos alunos.

Esses comportamentos deixaram de me surpreender tanto, desde que ouvi o tipo de linguagem utilizada por muitos pais em presença dos filhos.

 

Mas se essas faltas de respeito me preocupam, preocupam-me muito mais as faltas de respeito a que assisto por parte de pessoas, supostamente com elevadas responsabilidades políticas e ou profissionais, que se deixam envolver sistematicamente em comportamentos e situações ética e moralmente reprováveis, que desrespeitam os valores morais, a dignidade dos subordinados, a imagem pública das instituições que representam, convencidos de um sentimento de superioridade social que julgam conferir-lhes total impunidade.

 

É altura de dizer: basta!

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