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Dr. Álvaro A.S. Passarinho

Homenagem
 
O Dr. Álvaro A.S. Passarinho faleceu no passado dia 24 de Outubro e, desde logo, tive a intenção de escrever algumas notas sobre a sua vida e obra, o que me obrigou a algum trabalho de pesquisa e atrasou a publicação deste post.

Apesar de existirem entre nós algumas divergências ideológicas e políticas, mantive com ele, ao longo de muitos anos, uma relação de cordialidade, cimentada pelo que nos unia: uma grande paixão pelo Sardoal e uma enorme preocupação pela preservação dos seus valores culturais, materiais e imateriais.

O troço da Rua 5 de Outubro (antiga Rua do Vale) em que se situa a Farmácia Passarinho e a residência do ilustre finado, tem vindo a perder, nos últimos anos, muita vida com o desaparecimento de muitos dos seus moradores: ou lojistas: o Sr. Lúcio Serras Pereira, o Sr. Aureliano, a Sra. Dona Helena Serras Pereira e o seu marido Sr. Aníbal Reis, o Sr. Francisco Mendonça (Choupa), o Sr. Joaquim da Silva Lopes (do Luizinho), o Dr.José Ferreira Arêlo Manso, a Professora D. Alzira, a modista D. Inocência, o Sr. Ramiro dos Santos (Pelado), a Sra. D. Maria dos Santos Salgueiro(dos Correios) o Professor Pires. Com a morte do Dr. Passarinho, no troço que fica entre a Rua Bívar Salgado e a Rua F (a que a Câmara Municipal, em boa hora, decidiu atribuir o topónimo Dr. Álvaro Andrade e Silva Passarinho), fica agora o Sr. Manuel Vítor, que ali mantém a sua barbearia há cerca de 60 anos, como representante da pessoas que ao longo de muitos anos ali viveram e trabalharam.

Notas biográficas

Nasceu na Vila de Sardoal em 9 de Setembro de 1920 e faleceu na mesma Vila em 24 de Outubro de 2011. Era filho de Rafael Alves Passarinho e de Maria Andrade e Silva Passarinho.

Em 1944 casou com Maria Amélia da Silva Pereira, com quem teve três filhos (dois rapazes e uma rapariga).

Em 1941 concluiu o bacharelato em Farmácia na Escola Superior de Farmácia de Lisboa e cerca de 33 anos mais tarde concluiu a Licenciatura em Farmácia, quando foi criada a respectiva Faculdade.

Por volta de 1944 assumiu a direcção técnica da Farmácia Passarinho que tinha sido criada pelo seu Pai, desempenhando estas funções durante quase sete décadas. Durante muitos anos foi dirigente da Associação Nacional de Farmácias.

Entre 1962 e 1968 foi Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Sardoal, sendo o responsável pela reactivação do Cineteatro Gil Vicente, organizando sessões regulares de cinema na vila de Sardoal.

Esteve sempre ligado ao associativismo desportivo, foi vice-presidente em exercício do Benfica de Abrantes, teve actividade na gestão do futebol e andebol da FNAT (hoje INATEL), tendo sido o primeiro presidente do Grupo Desportivo e Recreativo de Sardoal «Os Lagartos», em 1980.

Durante anos exerceu também a função de correspondente para alguns jornais nacionais, tais como: «O Século», «A Capital», «Diário de Notícias», «Jornal do Comércio» e «Jornal de Abrantes». Foi também um dos fundadores da Rádio Sardoal, em 1987.

Desde sempre teve o gosto pela intervenção política e social. Foi militante do MUD (Movimento Unitário Democrático) que se opunha a Salazar, chegando a dinamizar o núcleo de Sardoal coordenando a campanha eleitoral a favor da candidatura de Humberto Delgado. Em 1969 é com surpresa que é chamado a Governador Civil de Santarém. Na altura Bernardo Mesquitela, que lhe dá conta da sua intenção de o nomear Presidente da Câmara de Sardoal. Entra em funções em Abril desse ano, para abandonar o cargo em Outubro de 1974, seis meses depois da Revolução dos Cravos. Foi, nos anos oitenta membro da Assembleia Municipal, eleito pelo CDS, partido de que foi militante e dirigente local.

Em 2002 foi-lhe atribuída a Medalha de Ouro do Concelho de Sardoal, com o correspondente título honorário, que lhe foram entregues em cerimónia solene realizada no Salão Nobre dos Paços do Concelho de Sardoal, em 22 de Setembro de 2002, pelo então Secretário de Estado da Administração Local, Miguel Relvas.

NOTAS DA IMPRENSA REGIONAL

Segue-se a transcrição de algumas notícias da Imprensa Regional relacionadas com o Dr. Álvaro Passarinho, mas também com o seu pai, o Sr. Rafael Alves Passarinho, que julgo ter nascido no Carvalhal (Abrantes) que foi durante muitos anos Conservador do Registo Civil de Sardoal.

Foi também Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Sardoal. Foi o fundador da Farmácia Passarinho.
 
JORNAL DE ABRANTES
28 de Junho de 1931

Pelo Sardoal

Na eleição para a Mesa Administrativa da Santa Casa da Misericórdia de Sardoal, que há-de funcionar no triénio futuro, foi reeleita a actual mesa com a excepção do Sr. João Santos Pereira.

Ficou Provedor o Sr. António Carvalho Tramela.

Para dar publicidade, neste número, á carta que segue do nosso prezado amigo Sr. Rafael Alves Passarinho, fomos forçados, por falta de espaço a retirar um artigo do nosso estimado correspondente e colaborador, Sr. Vilas, do que pedimos desculpa.

Será publicado no próximo domingo, não perde a oportunidade.

 
Sr. Redactor

Há dois números que o Jornal de Abrantes vem ventilando, mas de modo tão vago, que vários leitores do vosso conceituado jornal hão-de ter formado juízos erróneos e outros perguntarão o que há.

Ora eu tenho uma opinião que outros casos devem ser tratados com classe e precisão, para que se forme a opinião pública.

Permita-me Sr.Redactor que eu esclareça:

Há cerca de 10 anos que o hospital desta vila é administrado por um grupo de pessoas que a todos se impõe pela honestidade do seu proceder, e pelo desenvolvimento.
Para isso aí estão a atestá-lo esse vasto salão de recreios, que se pode adaptar a
enfermaria desolados, a sua instalação de cinema e teatro e a máquina produtora de
electricidade, renovação de sala, de operações, alargamento do adro e mais obras que é escusado enumerá-las, pois que elas falam mais eloquentemente que tudo se possa dizer, e tudo isto feito sem sacrifício das receitas hospitalares e sem prejudicar a sua existência, pois esta tem sido cada vez maior e mais benéfica, e apesar da enorme crise porque todos os hospitais têm passado, o nosso tem o seu capital intacto.
Ali dentro só existe uma política, praticar o bem, desenvolver a caridade e se não for
assim, nunca nos seria possível fazer a festa que se faz anualmente em Agosto em que
todo o concelho coopera.
Festa iniciada por nós e que bastantes lucros tem dado.
Um factor importante tem contribuído para o seu engrandecimento e prosperidade, que é o seu desenvolvimento cirúrgico, obra a cargo do Exmº Sr. Dr. Raul Weelhouse, que desde Julho de 1925 vem praticando a cirurgia de uma forma tão brilhante e positiva que o nosso hospital hoje é procurado e frequentado por pessoas de concelhos distantes que aqui vêm ser operados por Sua Exc. e é com orgulho que constatamos que cada doente que sai é um propagandista desta bela instituição.
Daí nos tem advido a par da simpatia popular importantes receitas, como se prova o
mapa que publicaremos, pois elucida os mais cegos.(Mesmo os que não querem ver).
Ora é esse o nosso único crime, termo-nos mostrado alheios ás tricas que por aí se
desenvolvem, pois entendemos que muito acima de tudo isto está o prestigio do hospital e o bem estar dos seus doentes, que cada vez são mais e de maior categoria social.
Pois Sr. Redactor, é esta mesa administrativa que se pretende dissolver.
E porquê?... porque não satisfaz as vaidades de pessoa alguma, porque não aceita ordens se não as que a lei determina.
Existe um organismo que superintende na administração das Misericórdias, que é o seu
conselho inspector, que perante ele façam as suas acusações, que as concretizem, que
ele nos venha inspeccionar ou sindicar e que proceda connosco, sem contemplações,
mas com justiça, são essas as nossas aspirações, e é esse o nosso maior desejo e é
isso mesmo que temos pedido, pois o seu resultado será o nosso maior triunfo, triunfo
daqueles que têm a consciência do dever cumprido e que têm o culto da honestidade e da honra.
Isto e só isto desejamos do Governo ou Conselho Inspector das Misericórdias, porque
da opinião Misericórdia recebemos o aplauso a toda a hora, dos irmãos da Misericórdia
recebemos no passado domingo a maior prova de confiança.
Sendo o número de irmãos 95, fomos reeleitos por 63, estando mais de 15 ausentes
e impossibilitados, sabendo-se que raras vezes a eleição se tem realizado na primeira
convocação, como foi agora.
Do Exmº Sr. Governador Civil recebemos há três anos, quando da sua visita as palavras
mais elogiosas que nos cativaram, palavras que Sua Exc. confirmou há dois anos,
quando de um pequeno conflito aqui...pedimos a nossa admissão, demissão que Sua
Exc. não aceitou, deliberação que nós acatamos, não só pelo amor à instituição que
administramos, mas também por ser oriundo de Sua Exc., cuja inteireza de caracter e
nobreza de sentimentos somos admiradores.
Esta é a verdade sem rodeios nem sofismas e o resto são fantasias que só servem para
prejudicar essa bela instituição, que é da minha única e exclusiva responsabilidade, e
que é escrito sem azedumes nem paixão, porque a verdade é só uma, e essa está bem
patente na documentação existente nesta cooperação de beneficência.
Do que se confessa de V. muito grato
Rafael Alves Passarinho
Sardoal, 25 de Junho de 1931
Mapa Movimento do Hospital do Sardoal
Ano... 1920  40 doentes
Ano ...1921 21 doentes
Ano ...1922 54 doentes
Ano... 1923 36 doentes
Ano...1924 29 doentes
Total de doentes – 180

Doentes pensionistas – 5, que pagaram o total de 193$00
Ano de 1925
Ano de 1926
Ano de 1927
Ano de 1928
Ano de 1929
Ano de 1930
Total de doentes – 553
 
Doentes do Sr. Dr. Raul Weelhouse que tomou posse em Julho de 1925 eram no total de 417.
Destes 231 foram pensionistas, que pagaram ao hospital 47.102$00.
Os restantes nenhum foi pensionista.
64 doentes
100 doentes
84 doentes
86 doentes
92 doentes
127 doentes
12 de Junho de 1932
Agradecimento
 
Rafael Alves Passarinho, na impossibilidade de o fazer pessoalmente, vem por este
meio agradecer a todas as pessoas que durante a sua ausência desta vila ou após o seu
regresso, o visitaram, escreveram ou cumprimentaram pessoalmente.
Tantas foram as provas de carinho, estima e consideração que aqui deixa vinculada a
prova indelével do seu reconhecimento e testemunho da sua maior gratidão.
Sardoal, 7 de Junho de 1932
Rafael Alves Passarinho
 
 
JORNAL DE ABRANTES
9 de Maio de 1937
A Inauguração da Casa de Saúde em Abrantes
Como representante do Sardoal e amigo íntimo do construtor e director daquela Casa de Saúde, Sr. Dr. Manuel Fernandes, esteve o Sr. Rafael Alves Passarinho.
Eis algumas afirmações do seu discurso:
Diz o “Jornal de Abrantes”: O Sr. Rafael Alves Passarinho enalteceu a obra construtiva
do Sr. Dr. Manuel Fernandes no meio abrantino, principalmente pelo que respeita á
assistência e beneficência.
“Século” diz: O Sr. Rafael Alves Passarinho afirmou que a Casa de Saúde era um
templo com um apóstolo, o Sr. Dr. Manuel Fernandes.
“A Voz” diz: O Sr. Rafael Alves Passarinho, exaltou o alcance da obra realizada pelo
Sr. Dr. Manuel Fernandes, o significado da manifestação e simpatia que o rodeava.
“Primeiro de Janeiro”, “Diário de Noticias”, “Diário de Lisboa”, “Novidades” e “Diário da Manhã”, apenas aludem que o Sr. Rafael Alves Passarinho, botou um esclarecido e valoroso discurso em referência ao acto, entre outros oradores.
 
7 de Agosto de 1938
Sardoal
Em convalescença
Em franca convalescença regressou a sua casa nesta vila de Sardoal a Sr.ª D. Maria
Andrade e Silva Passarinho, esposa do nosso amigo Sr. Rafael Alves Passarinho, digno
farmacêutico.
Esta senhora sofreu na Casa de Saúde do Sr. Dr. Manuel Fernandes, uma melindrosa
operação, tendo sido este distinto clínico o operador, coadjuvado pelo Sr. Dr. Cabral de Andrade, José Campos anestesista e Abílio Madureira seu médico assistente.
Assistiu também á operação o Sr. Dr. Álvaro Andrade e Silva, capitão médico, director
do hospital do Campo Entrincheirado, e irmão da operada.
Também recolheu a sua casa em franca convalescença, nesta vila, a Sr.ª D. Maria
Francisca Tavares Caldeira Caroço, que foi operada na mesma Casa de Saúde por
aquele ilustre clínico, coadjuvado pelo Sr. Dr. Cabral de Andrade.
Completo restabelecimento é o que sinceramente desejamos ás ilustres enfermas.
 
JORNAL DE ABRANTES
2 de Outubro de 1938
Falecimento de D. Joaquina Martins Teixeira de Andrade e Silva
Confortada com todos os sacramentos da igreja, acaba de falecer na Quinta de S. Bruno, a senhora D. Joaquina Martins Teixeira de Andrade e Silva.
Teve uma morte santa, como santa foi a sua vida, quer na caridade que exerceu a favor dos pobres e humildes, quer na forma como administrou e governou e educou sempre os seus filhos e sua casa.
A falecida tinha 67 anos, era casada com o rico proprietário Sr. Manuel da Silva e
mãe dos seguintes filhos: Padre Doutor Luis Andrade e Silva, advogado e notário
em Vila Nova de Ourém, D. Maria Andrade e Silva Passarinho, casada com Rafael
Alves Passarinho, farmacêutico e Conservador do Registo Civil nesta vila de Sardoal,
Dr. Álvaro Andrade e Silva, Capitão médico, director do hospital da Feitoria, casado
com D. Cármen Torres de Andrade e Silva, Dr. João Andrade e Silva, médico, casado
com D. Maria Monteiro Andrade e Silva, Dr. Manuel Andrade e Silva, advogado e
conservador do registo predial em Vila Nova de Ourém, casado com D. Maria Ângela
Andrade e Silva, António Andrade e Silva, primeiro tenente da Armada e Comandante
da Canhoneira Zaire, casado com D. Maria da Cunha Esteves Andrade e Silva, D. Maria
dos Remédios Andrade e Silva, Alberto Andrade e Silva, Tenente de Engenharia e
professor da Escola Central de Sargentos, em Águeda, casado com D. Maria Albina
Monteiro de Andrade e Silva, D. Maria de Lourdes Andrade e Silva Durão, casada com
o Tenente Ernesto Carvalho Durão, Armindo Andrade e Silva, aluno da Universidade
de Coimbra.
No quarto funerário foi celebrada missa de corpo presente, pelo mais velho da falecida, Dr. Luis Andrade e Silva.
No seu enterro incorporaram-se as pessoas mais gratas da vila de Sardoal, de Vila Nova
de Ourém e Abrantes.
A chave da urna foi levada pelo amigo da família Dr. Anacleto Fernandes Agudo.
Os pobres bem sentiram a morte desta bondosa senhora, pois, era muito boa a esmolar.
Não há memória nesta vila de se fazer um enterro com tanta concorrência de pessoas
de todas as categorias sociais. O clero que acompanhou a falecida á sua última morada, além do filho Luis, João Henrique Sequeira Mora, Cónego António Joaquim Silva Martins, Padre Francisco José Pires, Coadjutor da freguesia de Sardoal, Padre Carlos Antunes Pereira de Jesus e Padre José Lopes.
Paz á sua alma e que descanse em glória do Senhor.
 
JORNAL DE ABRANTES
7 de Maio de 1939
Casamento
No dia 22 de Abril realizou-se no Sardoal, o casamento da Sr.ª D. Artémia Andrade
e Silva Passarinho, gentil filha do Sr. Rafael Alves Passarinho, farmacêutico e
conservador do Registo Civil nesta vila, com o Sr. José Franco Preto, 2º tenente
engenheiro maquinista naval, filho de Dr. António Justino Preto, delegado de Saúde em Vila Nova de Ourém.
O acto civil teve lugar em casa dos pais da noiva, tendo sido padrinhos o Sr. José
Casimiro Serrão Franco, corretor da bolsa e tio do noivo e o Sr. Dr. Luis Andrade e
Silva, advogado e notário em Vila Nova de Ourém e tio da noiva.
A cerimónia religiosa realizou-se na Igreja Matriz do Sardoal, sendo celebrante o tio da noiva Dr. Luis Andrade e Silva, acolitado pelo reverendo padre Eduardo Dias Afonso, servindo de padrinhos o pai da noiva e o Sr. José Casimiro Serrão Franco e madrinhas a mãe do noivo e a Sr.ª D. Maria dos Remédios Andrade e Silva, tia da noiva.
 
3 de Novembro de 1940
Agradecimento
D. Maria Andrade e Silva Passarinho, Rafael Alves Passarinho, seus filhos e genros,
com justificado receio de cometermos qualquer falta, que a dar-se é involuntária,
servem-se deste meio para agradecer a todas as pessoas que directa ou indirectamente testemunharam o seu pesar quando da perda da sua saudosa esposa, mãe e sogra.
A todos o testemunho da nossa maior gratidão.
 
JORNAL DE ABRANTES
16 de Novembro de 1941
Dr. Álvaro Andrade e Silva Passarinho
Concluiu o seu curso de farmácia na Faculdade de Lisboa, o Sr. Dr. Álvaro de Andrade
e Silva Passarinho, filho do nosso amigo e prezado colaborador, Conservador do
Registo Civil, farmacêutico em Sardoal, Senhor Rafael Alves Passarinho.
O novo diplomado que conta apenas 21 anos, foi sempre um estudante distinto e
aplicado, contava sempre com a estima e simpatia dos professores e colegas, pela sua
lealdade, correcção de proceder.
Têm justos motivos de satisfação estes nossos amigos.
O Dr. Passarinho por ver assim terminado os seus trabalhos escolares com tanto êxito
e o seu pai por ter a alegria de o ter junto de si e já formado e num longo curso de
12 anos, sem desgosto, com alegrias, seu filho querido, por quem deve ter legitimo
orgulho.
21 de Novembro de 1943
Pedido de Casamento
No dia 7 do corrente pelo nosso amigo e colaborador Sr. Rafael Alves Passarinho,
considerado farmacêutico e Conservador do Registo Civil em Sardoal, foi pedida em
casamento para seu filho, Sr. Dr. Álvaro Andrade e Silva Passarinho, licenciado em
Farmácia, a Sr.ª D. Maria Amélia da Silva Pereira, prendada filha do Sr. António Silva
Pereira antigo comerciante em Alferrarede e da Sr.ª D. Carolina da Silva Pereira e
irmã dos Srs. Abílio e António Pereira, também considerados comerciantes naquela
localidade.
A família Silva Pereira que tem por si um passado de trabalho honesto no alto comércio de azeites, goza nesta região das maiores simpatias. Rafael Passarinho que com a formatura de seu filho lhe entregou a direcção da sua antiga e acreditada farmácia, tem sido um trabalhador incansável e um exemplar chefe de família, chegando-lhe ainda o tempo para dar a sua valiosa colaboração ao Jornal de Abrantes, em assuntos agrícolas o que se tem dedicado, e que muito conhece, para além de várias notícias que dá sobre o Sardoal. O casamento deve realizar-se nos princípios do próximo ano.
 
5 de Dezembro de 1948
Farmácia Mota Ferraz – Abrantes
Foi arrendada desde quarta-feira á nova gerência, tomando conta dela os farmacêuticos Sr. Rafael Alves Passarinho e seu filho Álvaro Andrade e Silva Passarinho.
Rafael Alves Passarinho fez serviço durante muitos anos na farmácia Neto tendo
montado farmácia no Sardoal, tem estado sempre em contacto com a cidade de
Abrantes.
Seu filho é um profissional cheio de vontade e com muitas faculdades de trabalho,
desejamos muitas felicidades.
 
2 de Outubro de 1949
Nascimento
Deu á luz uma criança do sexo masculino, a Sr.ª D. Amélia Pereira Passarinho, esposa
do Sr. Dr. Álvaro Andrade e Silva Passarinho, gerente da farmácia Mota, de Abrantes.
Desejamos-lhe muitas felicidades e que para bem se crie.
22 de Outubro de 1950
Registo Civil
Foi contratado para 3º ajudante do serviço anexo do Registo Civil e Notário do Sardoal, Álvaro Andrade e Silva Passarinho.
 
JORNAL DE ABRANTES
Sábado, 29 de Março de 1969
A Posse do Presidente da Câmara do Sardoal
Poucas vezes, na nossa terra, um acontecimento político e social terá atingido um tão
alto nível de entusiasmo e euforia como a posse do novo Presidente da Câmara, o Sr.
Dr. Álvaro Andrade e Solva Passarinho, realizada na pretérita segunda-feira (dia 24 de
Março), pelas 17 horas.
Eram 16 horas e vinte minutos quando o automóvel que conduzia o Senhor Governador
Civil chegou ao limite do concelho onde foi recebido pelo novo Presidente e pelo
Presidente da Comissão Concelhia da U.N., os quais tomaram lugar no carro
daquela autoridade. Uma caravana de mais de cem automóveis precedida pelo da
citadas autoridades, pôs-se em andamento, chegando à Praça Máximo Serrão, eram
precisamente dezasseis hora e trinta e cinco minutos, onde uma multidão entusiasmada, com a Filarmónica União Sardoalense à frente, esperava o ilustre visitante, D. Bernardo de Mesquitela, que honrando-nos com a sua visita aqui se deslocou, para no meio do povo que vivia uma hora alta de júbilo e alegria, entregar ao novo Presidente a sua jurisdição sobre o concelho de Sardoal.
Podemos afirmar sem receio de desmentido. que este foi o acto de posse mais
concorrido e celebrado, durante todos os tempos, da nossa terra.
Logo que o Senhor Governador Civil desceu do seu automóvel, a Banda executou
os primeiros acordes da Maria da Fonte, após o que o povo irrompeu com calorosos
aplausos e as crianças das escolas na alvura das sua batas e das suas almas, acorreram
freneticamente ao Senhor Governador, o qual teve para elas sorrisos e gestos de
verdadeira simpatia. Daí formou-se um cortejo em direcção aos Paços do Concelho,
percorrendo as ruas engalanadas com colchas e de algumas janelas caíram papelinhos de cores.
No Salão Nobre dos Paços do Concelho seguiu-se o acto de posse, vendo-se na mesa,
além do Senhor Governador que presidia, à sua direita o novo Presidente Dr. Álvaro
A. Passarinho, Dr. Ismael Chambel, presidente da U.N. de Abrantes, Dr. Agostinho
Batista, Presidente da edilidade de Abrantes e à esquerda os Srs. Lúcio Serras Pereira,
presidente da U.N. local, Manuel Lopes Alpalhão, vice presidente da CMS, Dr. Júlio
Rodrigues Garcia, presidente cessante e o presidente da C.M. Mação.
Lido o auto de posse pelo chefe da secretaria, Sr. Emídio António Aires, o empossado
prestou seguidamente juramento, sendo testemunhas oficiais do actos os Srs. Dr. José
Ferreira Manso, Subdelegado de Saúde e Lúcio Serras Pereira.
A assinatura do auto de posse que se realizou logo após foi uma consagração. Toda a
assistência tributou ao novo magistrado concelhio uma ovação entusiástica e apoteótica, ao mesmo tempo que pela Vila perpassava um frémito de incontido entusiasmo que
contagiou todos os que, não podendo estar presentes, assim deram largas ao seu júbilo e ao seu regozijo.
Abriu a sessão o Senhor Governador Civil, cujas palavras muito desvaneceram e
calaram fundo no coração de todos os sardoalenses, dizendo: abri uma excepção
vindo empossar o novo presidente, pela razão de ainda não ter visitado oficialmente
o concelho de Sardoal, terra, pela qual nutro grande afeição, pois tendo dela gratas
recordações da minha infância aquando das férias passadas na Quinta das Sentieiras,
com deslocações diárias até aqui, havendo ainda bem poucos dias que, as tinha
recordado numa fotografia tirada junto da bela Igreja Matriz, razão, pelo que saudava
naquele momento com carinho particular o seu povo por quem sentia muito apreço.
O Senhor Governador Civil agradeceu, seguidamente, o calor que todo o povo lhe
tributara, manifestou a sua muita alegria por ter vindo a este concelho, onde todos
tão ansiosamente o esperavam para o aclamaram e referiu-se, a seguir, ao acto de
posse que se inseria nesta sua visita, expressando a sua satisfação por saber que este
acontecimento recebia a plena e unânime aclamação de todos os SARDOALENSES.
Falou de seguia o Sr. Lúcio Serras Pereira que disse esperar uma acção meritória do
novo presidente em face da obra realizada ultimamente a Misericórdia.
Encerrou a sessão o novo presidente proferindo um vibrante discurso no qual revelou
todo o seu entusiasmo, prometendo, para já a cobertura do mercado diário, a abertura da biblioteca, a melhoria dos horários das carreiras de transportes colectivos que servem o concelho e o aproveitamento das belezas turísticas que julga serem vastas entre nós.
Palavras medidas, sensatas e oportunas de quem sabendo a magnitude da obra que tem à sua frente e das dificuldades e óbices com que terá de lutar, se preparara para levar de vencida obstáculos e contratempos, rotineirísmos e embaraços.
Disse ainda o novo Presidente, como remate das suas muito interessantes considerações, esperar que todos os munícipes o queiram ajudar na obra que se propõe levar a cabo, para que o Sardoal possa voltar de novo ao esplendor e fausto de antigos tempos, que fizeram dele um dos grandes concelhos do nosso Portugal.
Teve ainda palavras elogiosas para a Imprensa a quem saudou, prometendo todo o seu
apoio, pondo em destaque as vantagens que advêm da boa colaboração com os jornais.
Disse aceitar toda a crítica desde que ela seja construtiva.
Finda a sessão, foi o empossado efusivamente felicitado pelas centenas de pessoas
presentes, algumas vindas de terras distantes, com destaque para a colónia sardoalense residente em Lisboa.
A cerimónia foi transmitida para o exterior através de uma aparelhagem sonora a fim
que toda a massa humana que enchia por completo a Praça da República, pudesse
acompanhar o acto.
Numa breve reunião no gabinete da presidência fez a apresentação ao Senhor
Governador Civil, de toda a Vereação, Presidentes das Juntas de Freguesia, etc., a
quem, muito a propósito chamou «a sua equipa».
Seguidamente houve uma visita à Igreja Matriz e ao Hospital da Misericórdia.
Cumprimentamos efusivamente o Dr. Álvaro Passarinho desejando-lhe as maiores
felicidades no espinhoso cargo que toma sobre os seus ombros e pomos à sua disposição as nossas colunas para tudo o que seja A BEM DI SARDOAL,
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